Diana Palmer

Love with a Long, Tall Texan - Guy Fenton

Homens do Texas  20  Guy Fenton

Este foi um dia pra recordar... Um encontro, por acaso, com um velho conhecido uns meses antes tinha feito voltar  superfcie as ms lembranas e o tinha impulsionado a beber... E no dia seguinte, ps bebedeira, Guy vivia a vida real...
Por esta misria de salrio mais valeria ir  praia do que ficar na fazenda! - queixou-se ele em voz alta.
Concentre-se nessa mquina e d graas a Deus de que eu no tenha que descer a  para vacinar essas vacas. disse uma voz com marcado acento sulino atrs dele. 
Guy olhou por cima do ombro e Justin Ballenger e sorriu.
No estar insinuando que as coisas podem ficar pior por aqui, no  verdade? 
Justin meteu as mos nos bolsos e ps-se a rir.
Isso  o que parece. Venha aqui. Quero falar contigo. 
O grande chefe saa pra falar com os trabalhadores, por isso aquela ocasio era pelo menos curiosa. Guy acabou desligou a mquina de triturar o feno e se aproximou de um dos dois proprietrios da fazenda de criao de gado. 
_O que posso fazer por voc, chefe? perguntou-lhe amavelmente. 
Pode deixar de se embebedar nos fins de semana respondeu Justin, muito srio. 
As mas do rosto marcado de Guy se cobriram de um ligeiro rubor.
No sabia que aqui as conversas corriam to depressa...  Guy murmurou, desviando o olhar para o gado. 
No se pode  cortar as unhas dos ps em Jacobsville sem que algum fique sabendo. replicou Justin. Faz tempo que est se afastando, mas ultimamente vai por muito mau caminho, filho. acrescentou com voz profunda e tranqila.  Eu no gostaria de ver como  segue se afundando. 
Guy apertou a mandbula sem olhar para seu chefe.
 meu caminho. Tenho que and-lo.
No, nada disso. disse Justin secamente.  H trs anos trabalha aqui. Nunca te perguntei por seu passado e no vou fazer  agora. Mas odeio ver um bom homem perdendo-se tambm. Tem que esquecer o passado. 
Guy o olhou ento nos olhos. Os dois tinham a mesma estatura, mas Justin era mais velho e robusto. No era um homem com  quem Guy queria lutar.
No posso esquecer... o passado. disse Voc no  entende.
No, no te entendo. disse Justin Mas nem os lamentos nem os excessos podero mudar o que te ocorreu. 
Guy respirou fundo e olhou para o horizonte. No disse nada, porque se desse rdea a sua ira, Justin o despediria. E, por mais que odiasse seu trabalho, no podia permitir-se perd-lo.
Rob Hartford se instalou em Vitria e vem para ver-me freqentemente disse finalmente. Estava ali... quando aconteceu.
_ Ele no sabe, mas despertou em mim as lembranas...
Digo-lhe; as pessoas no podem ler a mente. 
Guy suspirou e olhou  Justin com seus olhos cinzas.
Seria um golpe muito duro para ele, ele no aguentaria minha ira se resolvesse falar de meu passado,  meu... 
Seria um golpe aainda mais duro pra voc, se acabasse no crcere. Ainda bem que agora tem sentido suficiente comum para no dirigir nesse estado. 
Ainda bem repetiu Guy com voz lenta De acordo, chefe. Farei o que puder. 
Voltou a desviar o olhar para o horizonte e o mesmo fez Justin.
O inverno est prximo murmurou Logo  teremos tempo para enviar estes bois antes de comprar mais feno. 
S os loucos se atrevem a dar cevada ao gado comentou Guy, aliviando a tenso. 
Isso dizem corroborou Justin com um dbil sorriso. 
Guy  encolheu os ombros.
Tentarei me manter afastado do bar.
 uma estupidez gastar o salrio em bebida cada fim de semana declarou o outro. No importa qual seja a razo. Mas no vim para falar com voc disso. 
Guy franziu o cenho.
	Ento para que?
Amanh vir  nos visitar uma publicitria de Denver. Dedica-se ao setor boiadeiro, e quer visitar alguns ranchos da regio para ter uma idia dos mtodos que estamos empregando. 
 Por que? perguntou Guy cortantemente. 
A associao de boiadeiros, da qual Evan Tremayne acaba de ser eleito presidente, quer relanar a imagem do setor. Ultimamente no esteve muito boa com a imprensa, devido  contaminao bacteriolgica e a alguns boiadeiros renegados e suas prticas. Ns no seguimos esses mtodos e queremos deixar bem claro aos consumidores de carne.Evan tambm pretende comercializar carne magra para uma clientela especfica. 
Acreditava que Evan estava muito ocupado com sua mulher para preocupar-se dos negcios.  murmurou Guy. 
Oh, Anna lhe est fazendo toda a papelada. respondeu Justin So inseparveis, dentro e fora dos negcios. Em qualquer caso, esta publicitria chega amanh e os Tremayne esto fora da cidade. Ted Regam e sua mulher esto em uma conveno em Utah, e Calhoun e eu estaremos ocupados com um comprador.  o nico vaqueiro que temos que sabe tanto do setor como ns, especialmente em todo o relacionado com os currais. Escolhemos voc para que seja seu guia. 
 Eu? resmungou Guy. Resmungou  baixo e olhou furioso para seu chefe.  O que aconteceu com  os Hart? So quatro irmos no rancho. 
Dois. corrigiu Justin Cag est em sua lua de mel, e Corrigan foi com sua mulher, Dorie,  visitar Simon e Tira em Santo Antonio. Acabam de ter seu primeiro filho. acrescentou, rindoe eu no gostaria de  endossar a publicitria aos dois solteiros. No sabemos se saber fazer bolachas, mas Leo e Ray esto to  desesperados que no acredito que d importncia. 
Guy se limitou a assentir. O gosto dos Hart pelas bolachas era legendrio no povo. Lstima que nenhum deles soubesse cozinhar. 
De modo que voc foi o eleito. 
O meu negcio  o rodeio, no os ranchos assinalou Guy. 
Sim, sei. disse Justin, olhando-o fixamente. Ouvi dizer que foi de avio a todas as competies e que pilotava voc mesmo. 
Eu nunca falo disso espetou Guy com um olhar fulminante. 
Sim, isso tambm ouvi. disse Justin, elevando as mos. Bom, s queria que soubesse que amanh no estar aqui, assim  ocupe-se em delegar as tarefas que necessita antes de amanh. 
De acordo aceitou Guy com um suspiro.  Suponho que no poder faz-lo voc... ou Calhoun. 
Sinto muito. Shelby e eu temos que ir ao colgio pela manh. Nosso filho mais velho atua na pea de Ao de Graas.  sorriuFaz o papel de espiga de milho. 
Guy no disse nada, mas seus olhos  brilhavam e seu  lbio inferior  tremia. 
Faz bem em em manter a boca fechada, Fenton.  acrescentou Justin com um sorriso malicioso. Ouvi  dize que ainda falta o ator para o peru. Seria uma pena que tivesse que te oferecer como voluntrio para esse papel em vez de deixar que apresente o rancho a publicitria. 
Justin afastou-se e Guy pde soltar a gargalhada que estava reprimindo. s vezes seu trabalho deixava de lhe importar. 
Voltou para barraco ao acabar o trabalho. Estava vazio, salvo por um jovem universitrio de Boffings chamado Richard, que estava estendido em um cama de armar lendo  Shakespeare. Ele levantou o olhar do livro quando Guy entrou. 
O cozinheiro se enjoou, assim todos foram  procurar o jantar fora de casa lhe disse Richard. S estamos voc e eu esta noite. Os outros  foram a uma festa na cidade.
Malditos parvos com sorte.  murmurou Guy. Tirou-se o chapu e deitou-se em seu beliche com um dbil suspiro.  Odeio o gado. 
Richard, A quem os outros vaqueiros chamavam Fraco, ps-se a rir. Relaxava-se muito mais quando Guy e ele eram os nicos a compartilhar o barraco. Para  alguns dos vaqueiros mais velhos, quase todos analfabetos, gostavam de afastar-se  dele e de sua afeio pelos estudos. 
Pode ser que o gado cheire mau, mas ao menos serve para pagar minha matrcula. - comentou Fraco. 
 Quantos anos ainda tem que ir  universidade? perguntou-lhe Guy com curiosidade. 
O jovem se encolheu de ombros. 
Normalmente so dois. Mas o nico modo que tenho de costear os estudos  ir a classe durante um semestre e trabalhar o outro, de modo que levarei quatro anos s me graduar. 
 No pode conseguir uma bolsa? 
Fraco negou com a cabea. 
Minhas notas no so  bastante boas para aspirar a uma bolsa importante, e meus pais ganham muito dinheiro  para que eu possa receber ajuda econmica. 
Tem que haver um modo  disse Guy, entreabrindo o olhar.  Falaste com o departamento financeiro de sua universidade? 
Pensei, mas um companheiro me disse que no perdesse o tempo. 
Qual  sua especialidade? 
Medicina. respondeu Fraco com um sorriso.  Tenho um longo  caminho por diante, inclusive depois de obter o ttulo. 
Guy no sorriu. 
Me ocorrem algumas ideias. Deixe que  pense com calma. 
Voc j tem muitos problemas, senhor Fenton. disse o jovem No tem que preocupar-se comigo alm disso. 
 O que te faz pensar que tenho problemas? 
Fraco fechou o livro de literatura que tinha nas mos. 
Todos os fins de semana sai para beber. Ningum bebe tanto s por distrao, e menos um homem to srio e responsvel como voc durante o resto da semana. Nunca evita suas responsabilidades nem delega tarefas a ningum, e sempre est sbrio quando trabalha.   sorriu timidamente  Suponho que passou por momentos muito graves. 
A expresso de Guy se tornou fria e distante. 
Sim. Muito grave.   Murmurou. Ficou de barriga para cima e  cobriu os olhos com o chapu.  Oxal voc pudesse me substituir amanh, Fraco. 
 Por que? 
Porque assim seria voc e no eu que iria  agentar amanh a publicitria. 
Ouvi falar dela pelo senhor Ballenger. Diz que  muito bonita. 
Ele no me disse isso. 
Talvez quer que seja uma surpresa. 
Guy se ps-se a rir. 
Pois mida surpresa. Essa mulher se deprimir quando cheirar o curral. 
Bom, nunca se sabe murmurou Fraco, passando as pginas do livro. Deus... como odeio Shakespeare. 
Concentre-se. 
Voc tambm o odiaria, se tivesse que fazer um curso de literatura medieval. 
Fiz dois, obrigado. Ambos com sobressalente. 
Fraco permaneceu calado um minuto. 
 Foi  universidade? 
Sim. 
 Licenciou-se? 
Sim. 
 Em que ramo? 
Em que especialidade corrigiu Guy. 
De acordo, em que especialidade? 
Em Fsica respondeu ele, sem mencionar que seu ttulo superior era em engenharia aeronutica e sua subespecialidade era a Qumica. 
Fraco soltou um assobio. 
 E est trabalhando em um rancho de gado? 
Em seu dia me pareceu uma boa idia. E certamente  uma ocupao fsica acrescentou. 
Fraco soltou uma gargalhada. 
Est brincando verdade? Guy sorriu sob o chapu. 
Possivelmente. Volta para seus estudos, filho. Eu preciso descansar. 
Sim, senhor. 
Guy permaneceu acordado at bem entrada a madrugada, pensando na universidade. De jovem tinha sido igual a Fraco, cheio de sonhos e iluses. A aviao tinha sido o amor de sua vida at que Anita  cruzou em seu caminho. E inclusive ento ela foi parte do sonho, porque tambm lhe encantavam os avies. Animava-o com entusiasmo, desfazia-se em elogios com seus desenhos e o acalmava quando o resultado no era o esperado. Nunca lhe permitiu que renunciasse de seu sonho nem se queixou das largas horas que passava longe dela. Sempre estava a, esperando, como um anjo de cabelo escuro. 
Ele lhe tinha dado o anel justo antes de  subirem no avio, pela ltima vez. Sempre revisava meticulosamente cada detalhe do aparelho. Mas naquela ocasio estava mais pendente de Anita que do motor. A pequena avaria poderia haver-se reparado se  tivesse se detectado a tempo. Mas no foi assim. O avio caiu sobre as rvores e ficou suspenso nos ramos. Poderiam ter sado com to somente uns machucados, mas Anita foi lanada contra a porta do passageiro que, afrouxada pelo impacto, abriu-se ao receber seu peso. Guy ainda a via em seus pesadelos, pendurando a quinze  metros do cho, olhando-o com olhos exagerados de terror enquanto gritava seu nome, sem nada que freasse sua queda salvo a dura terra do bosque... 
Ergueu-se pela metade no beliche, suando e respirando com dificuldade. Fraco dormia placidamente. Oxal ele pudesse fazer o mesmo. Apoiou a cabea nas mos e soltou um fraco gemido. Trs anos era tempo suficiente para o lamento, havia dito Justin. Mas Justin no o compreendia. Ningum o compreendia. S ele. 


Na manh seguinte entrou meio dormido no manjedoura, vestido com uns jeans azuis, uma camisa xadrez de flanela e sua jaqueta de pele de novilho. Levava seu chapu Stetson bege de asa larga, desgastado e manchado pelos anos de duro trabalho. Tampouco suas botas ofereciam muito melhor aspecto. S tinha trinta anos, mas se sentia como se tivesse sessenta, e se perguntava se ofereceria um aspecto to velho. 
Ouviu vozes que saam da sala de Justin quando ele entrou na sala de espera da fazenda. Fay, a bonita e mida esposa do J. D. Langley, sorriu-lhe e lhe fez um gesto para que passasse. Tecnicamente era a secretria de Calhoun Ballenger, mas aquele dia se ocupava tambm de substituir  outra secretria. 
Guy lhe devolveu o sorriso enquanto  levava uma mo ao chapu e entrou no despacho. Justin se levantou, e tambm o fez a pequena mulher morena que o acompanhava. Tinha os olhos marrons maiores e vulnerveis que Guy tinha visto em um ser humano. Uns olhos que pareciam atravess-lo at o corao. 
Apresento A Candace Marshall, Guy disse Justin  uma publicitria autnoma que trabalha principalmente para o setor boiadeiro. Candy,  este   Guy Fenton.  o encarregado da fazenda.
Guy  tocou a asa do chapu, mas no o tirou  nem sorriu. Aqueles olhos marrons lhe faziam mal. Eram uns olhos como os de Anita, quentes,  suaves e cheios de afeto. Guy podia v-los em seus pesadelos enquanto ela gritava lhe pedindo ajuda... 
Encantada em conhec-lo, senhor Fenton disse Candy muito seriamente, lhe oferecendo uma mo. 
Guy a estreitou fracamente, sem entusiasmo, e se apressou a meter as  mos nos bolsos. 
Guy vai mostrar-lhe os ranchos da zona antes de lhe mostrar a fazenda. seguiu Justin. Tirou duas folhas datilografadas e estendeu uma a cada um.  Fay preparou estas listas. Incluem um mapa, se por acaso no reconhecerem onde esto os ranchos. Os rancheiros locais contratam nossos servios para cevar a sua rao e os bezerros. explicou a Candy. Tambm temos um consrcio com a Mesa Branca, para a qual trabalha J. D. Langley, o marido de Fay. Qualquer detalhe que necessite sobre a administrao ou os custos, Guy poder facilitar-lhe, ele est a  trs anos conosco e est a cargo dos programas de alimentao, que so extremamente cientficos. 
 Cientficos? perguntou Candy, observando  Guy com renovado interesse. 
Licenciou-se em Qumica acrescentou Justin Justo o que necessitamos para preparar os concentrados e as mesclas segundo as propores de peso e obter o maior benefcio. 
Candy sorriu brandamente a Justin e afastou uma mecha que se soltou do recolhido francs que levava na nuca. 
Meu pai era boiadeiro, de modo que entendo um pouco deste negcio. De fato, minha me dirige um dos maiores ranchos de Montana. 
 Srio? perguntou Justin, impressionado. 
Ela, J. D. Langley e os Tremayne  confabulam contra outros boiadeiros nas convenes. continuou ela  So bastante radicais. 
No me recorde gemeu isso Justin Nada de aditivos, nem hormnios, nem antibiticos nem pesticidas, nem herbicidas... 
Conhece J. D. exclamou Candy, rindo. Guy se esforava por no fixar-se em como era parecida com  Anita. Estava muito bonita quando sorria. 
Todo mundo conhece J. D. por aqui. respondeu Justin com um exagerado suspiro, e olhou a hora em seu Rolex. Bom, tenho que ir. Mos  obra! 
Candy estava examinando rapidamente a lista. 
Senhor Ballenger,  impossvel que vejamos todos estes ranchos em um s dia! 
Sei. Ser necessrio uma semana, pelo menos. Tomamos a liberdade de aloj-la em nosso melhor hotel. A associao de boiadeiros correr com todos os gastos, assim no v regular em comida.  explicou. Fixou-se na extrema magreza de Candy e franziu o cenho.  Se encontra bem? 
Ela se endireitou e sorriu deliberadamente. 
Tive gripe. E  muito duro recuperar as foras.
Sim. Mas ainda  muito cedo para a gripe. 
Ela assentiu
 Verdade que sim? 
Justin duvidou e  encolheu de ombros. 
Seja como for, v com calma. Guy, se no se importar, combine tudo com o Harry cada manh e lhe d as instrues pertinentes. J sei que tm seus trabalhos atribudos para a semana  que vem, mas faa de toda forma. 
Claro, chefe disse Guy perezosamente.  Bom, senhorita Marshall, vamos? 
- obvio respondeu ela. Dirigiu-se para seu carro de aluguel, mas ento viu Guy afastar-se na direo contrria.  Senhor... Fenton? chamou-o, tendo que deter-se para recordar seu nome. 
Ele se voltou, com as mos ainda nos bolsos. 
P.or aqui disse Iremos em um dos caminhes. No poder atravessar os pastos de Bill Gately com esse carro sem romper o eixo. 
OH... murmurou ela. Olhou o carro e logo a caminhonete negra com o logotipo vermelho dos Ballengers na porta Entendo acrescentou, e foi lentamente para a caminhonete. Chegou um pouco ofegante e se encarapitou ao degrau, mostrando uma perna bonita e esbelta quando a saia lhe deslocou para cima. Agarrou a maaneta e se levantou a cabine com um gemido afogado. 
No est em muito boa forma disse ele. Bronquite? 
Ela duvidou um momento antes de responder. 
Sim. Pela gripe. 
Tentarei mant-la longe do p durante a visita disse ele, fechando a porta atrs dela. 
Candy se sentou e teve que segurar a respirao antes de poder apertar o cinto. Enquanto isso, Guy se sentou ao volante, sujeitando-o com uma mo enluvada, enquanto observava sua pele plida e suas bochechas avermelhadas. A mulher no tinha bom aspecto. 
Madruguei muito disse finalmente, apartando uma mecha solta. Estou bem. De verdade insistiu com um sorriso forado enquanto suavizava a expresso de seus grandes olhos marrons. 
Guy esteve a ponto de soltar um gemido. As lembranas lhe transpassaram o corao e o deixaram sem ar. Rapidamente girou a chave no contato e ps o veculo em marcha. 
Segure-se lhe disse secamente Choveu muito e os caminhos esto em muito mal estado. 
 Enlameados? 
-Alguns enlameados. Outros completamente alagados. 
As inundaes invernais murmurou ela. 
O El ninh. disse ele Causou estragos na Costa Oeste,  e em tudo o que havia por perto. No acredito ter visto tanta chuva no Texas em toda minha vida. 
 Nasceu voc aqui? 
Mudei-me aqui faz trs anos. 
Ento no  texano disse ela, assentindo. 
O girou a cabea para olh-la. 
No disse que no nasci no Texas. S  que no sou de Jacobsville. 
Sinto muito. 
Ele voltou a olhar a estrada, com a mandbula tensa. 
No tem por que desculpar-se. 
Ela respirava com dificuldade, como se no pudesse ench-los pulmes de ar. Apoiou a cabea contra o assento e fechou os olhos durante um minuto. Suas sobrancelhas se juntaram em uma careta de dor. 
Guy freou e ela abriu os olhos com um sobressalto. 
Est doente disse ele. 
No, no  estou protestou ela J disse. Ainda estou fraco pela gripe, mas posso fazer meu trabalho, senhor Fenton. Por favor, no... no se preocupe acrescentou, muito rgida. Girou a cabea e perdeu o olhar na triste paisagem outonal. 
Guy franziu o cenho e seguiu avanando pela acidentada pista que conduzia  estrada principal. Aquela mulher se mostrava muito suscetvel quando falava de sua sade, e era bvio que ocultava algo. Oxal pudesse averiguar do que se tratava. 
O primeiro rancho da lista pertencia ao velho Bill Gately, no caminho de Vitria. No era o mais interessante dos ranchos de Jacobsville, explicou Guy quando chegaram. 
Bill no mudou com o passado do tempo disse, com a vista fixa no caminho. Cresceu nos trinta, quando ainda se seguiam empregando nos ranchos os mtodos tradicionais. No gosta de alimentar ao gado com nenhum complemento, mas acabou cedendo quando conseguimos lhe demonstrar as diferenas no peso desviou o olhar para ela e sorriu ironicamente. Isso no quer dizer que se vendeu. E temo que vai ter problemas com voc. 
Candy se ps-se a rir. 
Suponho que as mulheres no pertencem  indstria boiadeira. Como pode estar to cega a associao de boiadeiros para  encarregar a publicidade a uma mulher? E em qualquer caso, por que necessitam publicidade quando  todo mundo gosta da carne? 
Muito certo disse ele. Bill ter esses mesmos argumentos e alguns mais. Tem setenta e cinco anos e pode lhe dar mil voltas a muitos de nossos vaqueiros. voltou a olh-la Acreditam que conheceu pessoalmente a Tom Mix. 
Estou impressionada -disse ela. 
 Sabe quem  Tom Mix? 
Ela voltou a rir. 
 No sabe todo mundo? Era uma estrela do cinema mudo. Tenho vrias de seus filmes -disse, encolhendo-se de ombros. Eu no gosto  muito dos filmes modernos,  exceo de algumas protagonizadas pelo John Wayne. 
Guy girou bruscamente e trocou de marcha enquanto desciam pelo que parecia uma garganta molhada. 
 V o que lhe dizia destes caminhos? perguntou enquanto a caminhonete se endireitava ao p do ravina. 
Sim, vejo-o corroborou ela, tentando recuperar a respirao. Que classe de veculo conduz o senhor Gately? 
Nenhum respondeu ele.Vai a cavalo aonde tenha que ir, e se necessitar provises ou fornecimentos, faz que algum os traga sorriu. A loja do povo tem de um tudo. Do contrrio, o velho Bill morreria de fome.
 Estou de acordo! 
Guy voltou a trocar de marcha. 
 Como se fez ranchera sua me? 
Meu pai era rancheiro  respondeu ela  Quando morreu, minha me seguiu encarregando do rancho. Ao princpio lhe resultou muito penoso. Tnhamos capatazes como seu senhor Gately, que ainda viviam no sculo passado. Mas minha me  a lei personificada e consegue reunir s pessoas sem tent-lo sequer. As pessoas a adoram e todos fazem algo que pea. No  autoritria nem desumana, mas sim muito teimosa para obter as coisas a sua maneira. 
Surpreende-me disse ele. Quase todas as mulheres que alcanam uma posio de autoridade se convertem em autnticas ditadoras. 
 Voc  conheceu  muitas dessas mulheres? perguntou-lhe ela. 
Guy ps uma careta pensativa com os lbios. 
Vi  muitas nos filmes.
Ela negou com a cabea. Esses filmes foram escritas e dirigidas por homens. assinalou O que se v no cinema e na televiso no  mais que a idia que tem um homem sobre uma figura feminina. No se parece em nada  realidade. E, certamente, minha me no  como essas mulheres. Pode disparar uma Winchester, conduzir o gado e levantar uma porta,  mas deveria v-la com um vestido do Valentino e diamantes. 
 Entendo.
 Percorreu um caminho muito comprido e difcil seguiu ela. Sinto que meu pai morrera, porque at esse momento minha me no sabia nada do trabalho nem dos negcios. Isso a converteu em uma mulher dura. concluiu. Poderia ter acrescentado  e
fria como o gelo, mas no o fez. 
 Tem irmos ou irms? 
Ela voltou a negar com a cabea. 
S eu respondeu, girando a cabea para ele E voc? 
Tenho um irmo. Est casado e vive na Califrnia. E uma irm que vive no Estado de Washington. Tambm est casada. 
 Voc alguma vez se casou? 
O rosto do Guy se endureceu como o granito. 
Nunca murmurou, trocando de marcha enquanto se aproximavam do velho e desmantelado  rancho. A est Bill. 




					DOIS

Bill Gately tinha o cabelo branco e coxeava ao caminhar, mas tinha um corpo to magro e gil como o de muitos homens com a metade de seus anos. Estreitou-lhes a mo cortesmente e olhou  Candy com uma sobrancelha arqueada, mas no fez nenhum comentrio quando Guy lhe explicou no que consistia seu trabalho. 
Justin Ballenger disse que no lhe importaria que dssemos uma olhada em seu rancho disse Candy com um sorriso. Parece  que tem feito progressos surpreendentes com os pastos. 
Os olhos azuis do ancio se iluminaram como se se acendecesse uma lmpada. 
 obvio que os tenho feito, jovencita disse sem dissimular seu entusiasmo. A agarrou pelo cotovelo e a levou a parte de atrs da casa, lhe explicando  as dificuldades da plantao e o cultivo da erva.  No seria rentvel a grande escala porque  muito cara, mas tive um grande xito e estou descobrindo a maneira de reduzir custos graas  mescla de pasto comum com o cultivado. Os bezerros se alimentam desses pastos seguindo um sistema giratrio at que se convertem, e ento eu os envio a Justin e Calhoun para que terminem de cev-los para p-los  venda sorriu Tambm consegui engordar muito o gado. Talvez deveria deixar que os Ballenger se encarregassem do marketing, mas eu gosto de realizar minhas prprias vendas. De todos os modos, s tenho cem cabeas de gado, e isso  muito pouco para incomodar aos Ballenger. 
 Onde est acostumado a vender seu gado? perguntou-lhe ela com curiosidade. 
Vendo-o uma cadeia de hamburgues. -  respondeu ele, e lhe deu o nome. Era uma cadeia local que tinha comeado com muito poucos recursos e que agora estava se estendendo pelas grandes cidades. 
Candy arqueou as sobrancelhas. 
Estou verdadeiramente impressionada lhe disse Quase todas as cadeias de comida rpida importavam a carne da Sudamrica, at que se divulgaram as notcias sobre o desmatamento das selvas. Aquilo provocou uma drstica reduo no consumo de carne, porque a gente no queria que os rancheiros da Sudamrica arrasassem a selva para que seus gados pudessem pastar. 
  o mesmo argumento que eu empreguei! exclamou com um gesto de nfase E tambm funcionou. Esto comeando inclusive  anunciar seus hambrgueres como os nicas que no saem da selva amaznica. E se quisessem, poderiam as anunciar tambm como de cultivo orgnico, porque no emprego nada artificial na comida do gado. 
Candy suspirou. 
OH, senhor Gately, oxal! pudssemos empacot-lo e vend-lo a voc! Que enfoque to magnfico para a cria de gado. 
Bill se ruborizou como um adolescente. Mais tarde, afastou-se com Guy  e lhe disse que nunca tinha conhecido  ningum to qualificado como Candy para a publicidade do setor boiadeiro, e Guy  transmitiu toda essa conversa a  Candy enquanto voltavam para Jacobsville. 
O rancho Gately lhes tinha ocupado quase toda a tarde, porque Candy tinha examinado os jornais de Bill para comprovar os progressos obtidos nos pastos, como o emprego da chamada erva de bfalo, que os granjeiros tinham arrasado quase por completo nos primeiros anos da colonizao. 
 muito meticulosa em seu trabalho comentou Guy. 
 Esperava algum descuidado para fazer um trabalho to importante? perguntou-lhe. 
Ele levantou uma de suas fortes e esbeltas mos. - No era minha inteno te provocar. Unicamente queria afirmar que parece ser muito boa no que faz.
Ela se recostou no assento com um pequeno suspiro  
 Orgulho-me de meu trabalho confessou E nunca foi uma tarefa fcil. H muitos boiadeiros como o senhor Gately, embora no to fceis  de  convencer, que gostam de me fazer sentir-me incmoda. 
 Como? 
OH, asseguram-se de que eu v sozinha pelos pastos quando os touros esto soltos comentou, estalando com a lngua E me fazem entrar nos estbulos quando as vacas esto sendo inseminadas artificialmente. Uma vez tive uma conversao a gritos com um rancheiro diante de um estbulo, porque uma gua estava sendo inseminada e no havia maneira de fazer-se ouvir. 
Guy soltou um assobio. 
Surpreende-me. Acreditava que a maioria dos homens que se dedicam isto  guardavam mais respeito ao sexo oposto. 
-E assim , sempre que ela esteja fazendo bolachas na cozinha. 
 No te ocorra falar de bolachas diante dos Hart! exclamou ele Rey e Leo ainda esto solteiros, e no te acreditaria at onde chegaram por umas bolachas desde que Corrigam, Simon e Cag se casaram e partiram de casa. 
Candy riu. 
Isso j ouvi no escritrio de Denver. disse.Em qualquer conveno de gado sempre se fala dos Hart. Cada dia so mais escandalosos. 
E mais exagerados. 
Quer dizer que no foi certo que Leo  levou  uma cozinheira de uma cafeteria do Jacobsville uma manh e no a deixou partir at que no lhe fizesse bolachas? 
Bom, aquilo foi... 
 E que Rey no contratou uma cozinheira em Houston para que lhe preparasse quatro bandejas de bolachas e que alugou um furgo refrigerado para as levar ao rancho? 
Bom, sim, mas... 
 E que quando a senhora Barkley se aposentou e deixou o restaurante Jones House, em Vitria, Rey e Leo lhe estiveram mandando rosas e bombons durante duas semanas at que aceitasse a trabalhar para eles? 
 alrgica s rosas murmurou ele.E engordou muito por culpa desses bombons. 
Certamente a estas alturas j seja alrgica a esses meninos, pobrecita disse Candy com uma risada.  A verdade  que nunca conheci  gente assim! 
Seguro que em Montana tambm h personagens curiosos. 
Candy ssacudiu o p da saia. 
Claro que sim, mas  gente como o velho Ben, que se juntava com o Kid Curry e Butch Cassidy, e que est cumprindo condenao por roubar trens. 
Guy lhe dedicou um sorriso. 
Isso  mais grave que seqestrar  uma cozinheira.
No sei. Ouvi que um dos Hart tem uma serpente gigante. Compadeo-me de sua mulher! 
Tinha uma pitn albina, mas quando se casou com  Tess  deu a pitn a um criador. Est acostumado a ir visit-la, mas jamais pedir a Tess que vivesse com ela. 
Isso  muito amvel de sua parte. 
Cag pode ser muitas coisas, mas no amvel disse ele Embora a sua mulher gosta. 
No sente saudades ento que seu melhor amigo seja um rptil. 
Parece que te falta o ar observou ele Espero que a palha do estbulo no faa mal a voc. 
O vento soprava com muita fora. 
Ela o olhou fixamente. 
 E tem que haver uma relao entre isso e minha falta de flego? 
Guy  encolheu de ombros. 
 Por que no toma seu remdio? 
 Que remdio?  perguntou ela, ficando rgida.
  No tem asma? 
Candy seguiu olhando-o com olhos inquietos, embora ele no podia ver sua expresso. 
Eu no... tenho asma respondeu ao fim de um minuto. 
 No?  Podia jurar que sim. No pode dar dez passos sem descansar. E isso em sua idade no  muito normal. 
Ela apertou a mandbula e pressionou com fora a bolsa enquanto olhava pelo guich. 
 No diz nada? insistiu ele. 
No h nada que dizer. 
Guy teria seguido pressionando-a, mas j estavam na rua principal de Jacobsville, perto do hotel. 
Meu carro de aluguel est em... comeou ela. 
Vou busc-lo com Fraco. Ele o trar at aqui e voltar comigo. Tem as chaves? 
Ela as estendeu com certo receio. 
Sou perfeitamente capaz de conduzir. No me passa nada! 
S  um favor esclareceu ele Tiveste um dia muito duro. Pensei que estaria cansada. 
OH murmurou ela, ruborizando-se ligeiramente enquanto Guy detinha a caminhonete diante do motel.   Entendo. Bom, nesse caso obrigado. 
Guy saiu do veculo e o rodeou para ajud-la a descer da cabine. Mas ela tambm pareceu tomar  mal esse gesto. 
Ele a olhou com o cenho franzido. 
 pode-se saber a que deve este ressentimento? perguntou-lhe Por que te custa tanto receber ajuda de qualquer tipo? 
Posso descer sozinha. espetou ela. 
Ele encolheu de ombros. 
Fao-o tambm por um tio meu av.  a informou No  velho, mas tem artrite e agradece que lhe dem uma mo. 
Candy ficou tinta. 
 Faz que parea uma feminista radical! 
O tom amvel com o que se dirigiu a ela tinha sido enganoso, pois o olhar que lhe lanou foi frio como o gelo. 
A verdade  que resulta to pouco atrativa como uma feminista lhe disse com voz cortante Eu gosto de uma mulher que possa impor respeito sem que tenha que comportar-se como uma arpa ou lhe falar com desprezo dos homens. Voc no gosta que lhe abram a porta nem que se preocupem com sua sade. Magnfico. Pode estar segura de que no voltarei a esquecer. sentenciou, esticando a mandbula.  Minha Anita valia dez vezes mais que voc.  acrescentou bruscamente.  Era uma mulher enrgica e independente, mas nunca teve que demonstrar a ningum que podia ser to dura como um homem. 
Por que no se casou com ela se era to maravilhosa? 
Morreu respondeu ele. Era terrvel confront-lo. 
Respirou fundo e se afastou. -  Ela morreu. - Voltou a dizer, quase para si mesmo, enquanto se afastava para a caminhonete. 
Senhor Fenton... chamou-o ela dubitativamente, consciente de que havia  uma fibra sensvel e sentindo-se um pouco envergonhada. 
Ele se voltou e a olhou por cima do cap da caminhonete. 
Chamarei o hotel pela manh e pedirei que lhe digam onde nos encontraremos para a seguinte parada da visita. De agora em adiante, poder conduzir voc mesma, senhorita Marimacho. 
Subiu  caminhonete, fechou a porta e se afastou, levantando uma nuvem de p. 
Candy viu como partia, sentindo uma luta de emoes enfrentadas. Era importante valer-se por si mesma, no aceitar a compaixo nem os mimos de ningum. Mas era consciente de que se passava e  lamentava. Guy Fenton tinha saudades de seu amor perdido. Devia hav-la querido muito. Candy se perguntou como teria morrido a misteriosa Anita, e por que o senhor Fenton parecia to atormentado quando falava dela. 
Entrou lentamente no hotel, sentindo cada passo que dava. Odiava sua debilidade e a incapacidade para corrig-la. Chegou ao mostrador e se obrigou a sorrir enquanto pedia a chave. 
A recepcionista, uma moa  atrativa, entregou-lhe a chave com um sorriso de indiferena e virou-se, sem mostrar o menor interesse ao que fazia a hspede suja e ofegante diante dela. 
Candy riu para si mesma. Aquilo supunha todo  um contraste com a preocupao que tinha mostrado Guy Fenton. Arrependia-se de haver pago sua ateno com uma atitude to odiosa. Mas ao longo dos anos tinha recebido muita compaixo e curiosidade, e muito pouco amor. 
Quando entrou na habitao, fechou a porta e se  desabou sobre a cama, sem nem sequer se incomodar em tirar os sapatos. Um minuto mais  tarde, estava dormindo. 

Os disparos a despertaram. sentou-se na cama, tremendo e com o corao na garganta. levou uma mo ao peito. Ouviram-se mais disparos.  E mais..
Saiu pra fora. No havia rvores. Nenhum lugar onde ocultar-se. Sentiu um golpe no peito e se tocou. Viu sua mo vermelha e mida pelo sangue fresca, seguida por uma dor horrivelmente aguda. No podia respirar... 
Jogou-se no cho e  cobriu a cabea com as mos. Via sangue. Sangue por toda parte! As pessoas  gritavam. Os meninos chiavam. Um homem com um disfarce de palhao caiu desabado enquanto soltava um alarido dilacerador. Junto a ela viu seu pai dobrando-se pela cintura e caindo com os olhos fechados, fechados para sempre... 
No estava consciente de que estava chorando at que o despertador da mesinha sacudiu seus sentidos adormecidos. Abriu os olhos. Estava estendida sobre o carpete,  como uma menina assustada. Aspirou com fora, desesperada por encher os  pulmes de ar. Conseguiu sentar-se no cho e apalpou o despertador as cegas at encontrar o boto que desconectava o alarme. Estava empapada de suor, tremendo, morta de medo. Depois de tantos anos, os pesadelos continuavam...Estremeceu violentamente e se tombou de costas na cama, com os olhos abertos e o peito lhe palpitando freneticamente. 
O pesadelo era uma velho companheiro. Por sorte, no havia tantos manacos soltos para se preocuparem com ela e com sua ferida  to pouco comum. Mas para um certo tipo de pessoa, que queria lhe fazer reviver aquele horror, a idia de reviver o trauma resultava tentadora. No podia suportar a menor referncia a sua falta de flego, por culpa das ms lembranas sobre os meios de comunicao, que tanto a tinham atormentado, a ela e aos outros sobreviventes daquela tragdia que tirara tantas vidas inocentes naquele ensolarado dia de primavera, dez anos atrs. 
Enterrou o rosto nas mos e desejou poder  apertar a cabea o bastante para espremer a lembrana para sempre. Sua me se refugiou em uma fria couraa de independncia depois do funeral de seu marido. Obrigada a assumir o controle rancho ou abandonar tudo, converteu-se em uma mulher de negcios. Odiava o gado, mas gostava do dinheiro que ganhava com ele. Candy no era mais que um aviso de sua terrvel tragdia. Tinha amado a seu marido mais que a ningum no mundo, e de algum jeito culpava  Candy por  sua perda. A distncia entre me e filha se fez intransponvel, sem nenhuma esperana de aproximao.  Para Candy s seu trabalho a salvava, j que lhe permitia sair de Montana, longe de uma me que  apenas a tolerava. 
Gostava de seu trabalho como publicitrio no setor boiadeiro. Bem diferente de sua me, adorava o gado e todo o relacionado com ele. Teria gostado de viver no rancho, mas Ida no suportava v-la nem fazia o menor intento por dissimular seu desprezo. Era melhor para as duas que Candy no voltasse para casa. 
Afastou o cabelo mido do rosto e tentou pensar na aventura do dia seguinte. Iriam ver um rancheiro chamado Cy Parks, quem, segundo a opinio geral, era o rancheiro mais anti-social de Jacobsville. Um homem sem o menor tato nem tolerncia para os forasteiros e com mais dinheiro do que  poderia gastar em sua vida. Candy estava acostumada a homens difceis, de modo que aquele no seria mais que outro apontado em seu relatrio. Mas o que verdadeiramente lhe angustiava era o comportamento to pouco amistoso que tinha tido com  Guy Fenton, quem unicamente se limitou a preocupar-se com ela. Talvez deveria lhe falar de seu passado e seguir a partir da. Parecia um bom homem. Tinha crebro e senso de humor, embora Candy se perguntava por que no usaria sua inteligncia para algo mais que um fazenda de gado. Poderia trabalhar por sua conta e montar seu prprio negcio. 
Apoiou a cabea no travesseiro empapado com uma careta de dor. S faltavam umas horas para o amanhecer. Tinha plulas para dormir, mas jamais as tinha tomado. Odiava a mera idia de qualquer tipo de vcio. No bebia nem fumava, e nunca tinha estado apaixonada. Era algo que exigia muita confiana. 
Um olhar ao despertador lhe confirmou que tinha quatro horas por diante para contemplar o teto ou para tentar dormir. Deixou escapar um suspiro e fechou os olhos. 
Guy Fenton, fiel a sua palavra, chamou o hotel e deixou uma mensagem para Candy com as direes para chegar ao rancho de Parks, lhe assegurando que ele estaria ali quando ela chegasse. 
Candy temia o encontro, depois do modo como se comportou. Certamente Guy tinha pensado o pior dela no dia anterior. Oxal pudesse reparar o dano. 
Conduziu at o enorme rancho de madeira. O entorno estava em muito bom estado de conservao, as cercas pintadas de branco, os estbulos organizados e limpos, um imenso celeiro na parte atrs com um pasto cercado de cada lado, e um caminho de entrada pavimentado e flanqueado por rvores, flores e arbustos. Ou o senhor Parks tinha 
herdado aquela propriedade ou gostava de muito as flores. 
Viu-o sair ao alpendre para receb-la, acompanhado do Guy. Sua expresso era sria e intimidatoria. Candy soube que suas experincias prvias com homens de difcil trato no lhe serviriam de nada com aquele tigre. 
- Cy Parks, Candace Marshall apresentou Guy  com voz cortante.A senhorita Marshall est entrevistando os rancheiros da regio para uma campanha publicitria sobre as novas tcnicas com o gado.
Uma grande ideia disse Cy, mas o sorriso que lhe dedicou era frio e forado.  Os defensores dos animais se valero disso para seus protestos e o lobby  anticarne exigir um espao similar para apresentar suas alegaes. 
Candy levantou as sobrancelhas ante aquele ataque frontal.
Estamos tentando promover novos mtodos. replicou No iniciar uma guerra de comida. 
A guerra j se iniciou, ou  que no v televiso? perguntou-lhe Cy friamente. 
Candy deixou escapar o flego. 
Bom... reps Poderamos nos limitar a fazer um descanso voluntrio na auto-estrada e deixar que o outro bando nos enrole. 
A boca do Cy se torceu em um sorriso desdenhoso, mas a expresso de seus olhos verdes seguia sendo glida, e seu rosto enxuto parecia mais curtido que o couro. Era da mesma estatura que Guy, mas mais magro. Tinha a compleio de um cavaleiro de rodeio, com seus ps grandes e sua boca de cruel aspecto. Meteu a mo esquerda no bolso, mas com a direita fez um gesto para o pasto mais prximo. 
Se quer ver meu touro novo, est por a. disse. Baixou lentamente os degraus e ps-se a andar para a zona cercada. J ganhou vrios concursos. 
Candy contemplou por cima da cerca o enorme animal de reluzente pelagem avermelhada. Era imponente, inclusive para ser um touro. 
 No tem nada que dizer? perguntou Cy. 
Ela negou com a cabea. 
Fiquei sem palavras...  precioso. - Cy emitiu um som spero e gutural, mas no lhe discutiu a mais que duvidosa descrio. 
 Pensava que talvez queria nos falar de seus mtodos  para o controle de pragas... um pouco  ortodoxos disse Guy. 
Cy franziu o cenho sob seu chapu de aba larga.
 Eu no gosto dos pesticidas. declarou Poluem a gua subterrnea. Eu uso insetos. 
 Insetos? repetiu Candy. Tinha ouvido falar desse mtodo, e comeou a citar um artigo que tinha lido recentemente sobre o emprego de insetos para controlar as pragas nos cultivos. 
- Foi precisamente esse artigo o que me deu a idia. replicou Cy, impressionado.  Pensei que valia a pena tentar, e que nada poderia ser pior que os venenos que estvamos usando. Fiquei muito gratamentente surpreso pelos resultados. Agora tambm uso adubos orgnicos assentiu para as vacas que pastavam ao longe, a uma distncia segura do touro.   uma lstima desperdiar todos esses  subprodutos de minha manada puro-sangue. Acrescentou. -  Sobretudo se levarmos  em conta o que  gasta as pessoas da  cidade em compr-los. 
Candy se ps-se a rir. Sua risada era ligeira e clida e  Guy se surpreendeu olhando-a. 
Estava rindo com o homem mais antiptico de toda a regio
Cy, no sorriu,  mas seus olhos verdes se iluminaram....
Deveria sorrir mais disse a Candy. 
Ela se encolheu de ombros. 
Todos deveramos faz-lo. 
Ele inclinou a cabea para ela. 
Faz algumas semanas vi sua me em uma conveno. Tornou-se de gelo, verdade? 
O rosto de Candy se decomps em uma careta de perplexidade. 
Bom, sim, suponho... 
No sente saudades seguiu ele, olhando-a fixamente nos olhosMas voc no deve culpar-se. 
Todo mundo diz isso.  Replicou ela, muito consciente da ateno de  Guy. 
Deveria escutar o que dizem essas pessoas.  A repreendeu Cy. 
Ela assentiu. 
E voltando a falar deste touro... comeou, trocando rapidamente de tema. 
Cy  passou vrios minutos  falando sem parar de seu tema favorito, o qual no deixava de ser estranho em um homem taciturno como ele. Caprichou nos detalhes do emparelhamento e da cria, at que Candy teve toda a informao que necessitava, e ento procedeu a lhe ensinar sobre o resto do recinto. 
Candy esteve pronta para partir pouco antes que Guy. Estendeu a mo para Cy, assentiu com cautela para  Guy, subiu a seu carro de aluguel e conduziu de volta  seu hotel. 
Guy no tinha tanta pressa. Permaneceu uns momentos junto a sua caminhonete e virou-se para  Cy. 
 O que lhe passou? 
Pergunte a ela.  disse Cy com sua antipatia habitual. 
Tiraria mais se  perguntasse ao carro que est conduzindo. 
Cy  encolheu de ombros. 
_No acredito que seja nenhum segredo. Faz nove  anosou mais, seu pai a levou para almoar em um estabelecimento de comida rpida. J sabe, papai e sua pequena compartilhando uma comida e conversando. Naquele dia o encarregado tinha  despedido  um empregado por beber no trabalho. O tipo tambm se drogava, mas o encarregado no sabia nada disso. E ali estava todo mundo, falando e esperando os pedidos, includos Candy e seu pai, quando este tipo entrou no local com um rifle de assalto AK-47 e comeou a disparar. 
Guy afogou um gemido. 
 Feriu Candy? 
Cy  assentiu seriamente. 
 No peito. Destroou-lhe um dos pulmes e esteve a ponto de mat-la. Tiveram que lhe extirpar parte do  pulmo. Seu pai no teve tanta sorte. Recebeu uma descarga no rosto e morreu imediatamente. Dizem que sua me nunca deixou de culp-la pelo acontecido. Foi idia de Candy ir comer ali.
E sua me assumiu que se Candy no tivesse pedido para ir ali, seu pai ainda seguiria vivo. 
Exato afirmou Cy, olhando a nuvem de p que o carro de Candy levantava a distncia.  Dizem que Candy se mostra muito suscetvel a este tema. Os meios de comunicao comearam a incomodar  sua me e ela justo depois do tiroteio. Inclusive hoje em dia h jornalistas de volta querendo reviver a histria. Sua me processou um deles por entrar sem permisso no rancho e ganhou o julgamento.  sacudiu a cabea Ouvi que Candy e sua me apenas se falam. Pelo visto, Candy decidiu que se sua me no quer t-la perto, ela respeitar seus desejos. 
 Como  sua me? 
Cy fez uma careta com os lbios. 
 o tipo de mulher com que no poderia imaginar casando-se com algum. Quase todos os homens a evitam. No tem freio na lngua, e sua mente  afiada como uma faca. No se parece em nada com Candy.   acrescentou pensativamente.  Candy pode ser muito direta, mas por dentro  de manteiga. 
Guy franziu o cenho. 
 Como sabe? 
Reconheo uma sofredora quando a vejo.   disse Cy, e tirou sua mo esquerda do bolso. 
Guy franziu ainda mais o sobrecenho ao v-la. A mo no estava mutilada, mas tinha sofrido graves queimaduras. A pele estava manchada e tensa. 
 Alguma vez algum te disse que meu rancho no Wyoming ardeu at os alicerces? perguntou-lhe ao  homem Com minha mulher e meu filho dentro? 
Guy empalideceu. Cy voltou a colocar a mo no bolso e olhou para Guy com olhos inexpressivos. 
 Foi preciso  trs vizinhos para me tirar da casa. Sentaram-se sobre mim at que chegaram os bombeiros, mas j era muito tarde. Naquele dia eu  estava ordenando os papis em meu escritrio quando se desatou uma tormenta. O fogo  comeou no outro extremo da casa, onde eles  dormiam. Mais tarde disseram que um raio tinha causado tudo.  Perdeu a vista no vazio.  Meu filho tinha cinco anos... deteve-se e se deu a volta, respirando profundamente at que a voz deixou de 
lhe tremer. Abandonei Wyoming. No podia suportar as lembranas. Pensei em comear de novo aqui.  O dinheiro no era nenhum problema. Sempre tinha tido de sobra. Mas o tempo no cura as feridas. Maldita seja...! 
Guy podia perceber e compreender a dor de Cy.
__ Uma tarde estava voando com minha noiva sobre o condado.   Guy confessou a ele.  Me ocorreu que poderia  impression-la, mas... o avio de pequeno porte se estrelou nas rvores e ficou suspenso dos ramos com a porta do co-piloto para o cho. Ao recuperar o sentido vi Anita pendurando do assento, a quinze metros do cho...  sua expresso se nublou Gritava e me suplicava que no a deixasse cair. Alarguei um brao para ela e ela se soltou de uma mo para tentar me agarrar... e ento caiu. fechou os olhos. Ainda continuo despertando pelas noites, vendo seu rosto desfigurado pelo terror, e ouo sua voz me chamando... 
voltou a abrir os olhos e respirou profundamente.  Sei o que  viver marcado pela dor. Vivo assim durante trs anos. E no consigo super-lo. 
Sinto-o disse Cy com uma careta de dor. 
E eu  sinto por ti. Mas isso no ajuda, no  verdade? perguntou-lhe com uma glida gargalhada. Tirou-se o chapu e  passou a mo pelo cabelo. __ Vou em busca dessa publicitria e seguiremos com as visitas. 
Claro. 
Guy levantou uma mo e subiu a caminhonete. No havia nada mais a dizer. Mas a compaixo aliviava um pouco as coisas. S um pouco...


					TRS 

Guy seguiu Candy de volta ao hotel, e encontrou seu carro estacionado em frente a uma das habitaes, no extremo do complexo. Estacionou sua caminhonete ao lado e bateu na porta. 
Ela abriu a porta, plida e cansada. Parecia respirar com dificuldade. 
Podemos ir ao rancho do Matt Caldwell amanh.  Disse ele imediatamente.  Se no se importa.  Acrescentou com cautela, tentando no mostrar muita preocupao por sua sade.  Tenho que resolver alguns problemas na fazenda esta tarde,  mas se est decidida a continuar a visita... 
__ No, a visita pode... esperar disse ela, olhando-o nos olhos.  Falaram de mim, no  verdade? perguntou-lhe sem mais prembulo. 
No havia motivo para  evasivas. 
Sim respondeu, com o rosto totalmente inexpressivo, e continuou falando como se lhe emprestasse muita ateno ao tema.  Te chamarei pela manh. Um cliente dever ver o gado e gostar que lhe explique os detalhes do programa alimentcio.  igual ao de  J. D. Langley... No gosta de fazendas, mas trabalha para uma empresa que comercializa com eles. Esperamos que venha logo, mas se atrasar, temo que ter que ir sozinha ao rancho de Matt. Mandarei-te um mapa por fax a recepo do hotel, para que possa recolh-lo antes de sair. O rancho est a meia hora de carro do povoado, e a estrada no tem nem sinais. 
Candy se surpreendeu de que no mencionasse seu passado e  relaxou um pouco. 
Muito bem. 
Ele viu como se esforava por respirar e comeava a tossir violentamente. 
 Alguma vez fez o teste de asma? insistiu. 
Ela  levou um leno a boca enquanto lutava contra a debilidade que lhe impedia de falar, 
No. 
Deveria fazer.  Declarou ele rotundamente, entreabrindo o olhar. Todo mundo diz que a asma te faz ofegar, mas no  sempre assim. O ano passado estive saindo com uma garota que tinha um grave problema de asma e no ofegava. S tossia to forte que parecia que os pulmes iriam sair pela boca. 
Candy se apoiou pesadamente contra a porta. 
 Por que no continuou com ela? - perguntou-lhe. 
 No tnhamos muito em comum, mas mesmo assim me senti envergonhado. Normalmente no sou to desconsiderado. 
 E essa garota encontrou  outra pessoa?
Guy se ps a rir. 
 Casou-se com seu chefe, um de nossos mdicos. Acredito que estava apaixonado por ela desde o comeo. Deu-me uma bronca por deixar que voltasse para casa sozinha aps o cinema. 
Candy lhe sustentou o olhar tranqilamente. 
 Por que te embebeda todos os fins de semana? 
Guy no dissimulou sua perplexidade. 
 Quem lhe disse isso? perguntou-lhe com impacincia. 
O senhor Gately, enquanto estava olhando os  cavalos.  Respondeu ela.  Me disse que ficasse longe de voc nos fins de semana, e eu lhe perguntei por qu. 
Guy  meteu as mos nos bolsos. De repente  parecia mais frio e inacessvel que nunca. 
 Minha noiva morreu em um acidente de avio. Eu pilotava o avio de pequeno porte. Tentei fazer uma manobra para alardear e s consegui estelar o aparelho nas rvores. O impacto no nos matou, mas o avio de pequeno porte ficou pendurado entre os ramos a quinze metros do cho. O cinto de segurana de minha noiva se soltou e ela caiu no vazio antes de que eu pudesse agarr-la.  Seu semblante escureceu pela lembrana.  Bebo para no ter que ver seu rosto enquanto caa nem ouvi-la gritar me suplicando ajuda. 
Candy enrugou o leno na mo. 
Sinto muito disse amavelmente.  De verdade. 
No lhe teria contado isso se no tivesse sabido o que aconteceu com ti.  replicou ele.H gente que gosta de ouvir falar de mortes violentas. Talvez isso os faa sentir-se vivos. Em meu caso, s faz que queira beber e me embebedar. 
Entendo-o. Mas ela no teria querido que se lamentasse dessa maneira, verdade? 
Ele duvidou por um momento. 
No. Suponho que no. 
Nem que fosse um solitrio para o resto de sua vida seguiu ela, sorrindo. -  Meu pai era assim... Sempre estava ajudando os outros, nos trazendo presentes e cuidando de ns. Era muito mais carinhoso que minha me, que agora me odeia, como  natural. Eu o matei acrescentou duramente. -  Fui eu  que sugeriu que fssemos comer naquele lugar em particular. 
Poderia ter acontecido em qualquer lugar. - disse ele.
Ela se encolheu de ombros. 
_ Sim, mas aconteceu ali. Agora tento estar em casa o menor tempo possvel. Suponho que me cansei em pagar por meus pecados soltou uma gargalhada. - Voc e eu seguimos fugindo, e eles seguem mortos. 
A voz lhe quebrou ao pronunciar a ltima palavra. Guy no entendia por que lhe afetava tanto,  mas  no podia permanecer ali parado, vendo-a chorar.
Entrou em seu quarto, e depois de fechar a porta,  a estreitou entre seus braos e a apertou fortemente contra seu corpo enquanto com uma mo lhe acariciava o cabelo. Aquele dia o tinha deixado solto e lhe caa at os ombros como uma cortina de seda escura. Cheirava a floresa. 
 No necessito que... comeou a protestar ela. 
 Sim, sim o necessita..   Ele a interrompeu,lhe afastando  o cabelo do rosto. E eu tambm.   humano  querer receber consolo. 
 De verdade? perguntou ela tristemente. 
  obvio. Ambos necessitamos de consolo. Voltou a abra-la e os dois permaneceram imveis, obstinados o um ao outro. Guy se sentia mais tranqilo do que tinha estado em anos. Gostava de t-la entre seus braos, to clida, suave e vulnervel. Ao fim de um minuto ela soltou um suspiro e se apertou  ainda mais contra ele. 
 Sua me alguma vez te abraou? perguntou-lhe Guy. 
No. No era uma pessoa que desse amostras de afeto, exceto com meu pai. E agora  ainda menos carinhosa que antes. 
Tampouco eu o sou admitiu ele.  Leva uma pequena couraa, senhorita Marshall lhe murmuro contra a tmpora. 
No quero receber a compaixo de ningum. 
Eu tampouco.  disse ele.  Mas no vejo mal um pouco de consolo. 
Ela sorriu contra sua camisa. 
Nem a mim. 
 No poderamos abandonar a luta e declarar uma trgua? 
Candy deu um tombo o corao. 
 Isso   de covarde? 
No entre dois veteranos de guerra como ns. 
Suponho que poderia tentar no estar sempre  defensiva se voc tentasse no beber. 
Guy ficou rgido. por cima da cabea de Candy olhou o grande carvalho que havia junto ao hotel e se perguntou distradamente se seria muito velho. 
Faz muito tempo que no tento deixar a bebida.  confessou Embora s seja durante os fins de semana. Mas deveria tomar uma alternativa. 
Os dedos do Candy brincavam com um dos botes de sua camisa. 
Suponho que voc no gostar de pescar... Ele levantou a cabea e a olhou. 
 Fala srio? 
 Voc gosta ou no? 
Ano passado ganhei o trofu como o melhor. 
Candy o olhou com olhos muito abertos e tornou a sorrir. 
Isso  porque no competia comigo! 
Uma alma gmea, pensou Guy, e  esteve a ponto  de  diz-lo em voz alta. 
__ Trouxe tudo contigo?
Ela fez uma careta. 
 Vim de avio. No podia trazer tudo o que  queria.. 
_ Eu te emprestarei o material. Tenho de tudo: canos, anzis, cortias... na sbado passaremos o dia no lago. 
 Eu adoraria! exclamou ela, com um sorriso radiante que Guy se perguntou como tinha podido lhe parecer uma mulher fria. 
Tentarei que algum me substituya e assim poderei ir contigo ao rancho de Matt pela manh. s nove parece bem? Encarregarei-me de consertar a entrevista com  Matt. 
 Estupendo. Esse Matt se parece com Cy Parks? perguntou-lhe  ela com curiosidade. 
 Guy negou com a cabea. 
Matt  uma pessoa muito tranqila, a menos que fique furioso e ter  que afastar-se de seu caminho. E, pelo geral, gosta das mulheres.  acrescentou. 
 Alguma exceo  regra? 
S uma.  disse ele com um sorriso.  Te verei amanh. Tome um caf reforado. -  sugeriu. - Dizem que ajuda para os ataques de asma... se for isso o que padece. Se no ficar melhor, chame o doutor Coltrain ou o doutor Morris. So geniais. 
De acordo. Obrigado. 
Ele  soltou um suspiro. 
No  uma amostra de debilidade pedir ajuda quando se est doente.  bservou. -  Me ocorreu que devia te fazer essa sugesto. 
Em casa no me permitiam  adoecer. -  disse ela. -  E algumas lies so difceis de esquecer. 
Ele  observou seu rosto macilento. 
No imagino como deve ter sido sua infncia lhe disse tristemente. 
Foi maravilhosa.., at que meu pai morreu, ...
Sente saudades...  murmurou ele. 
Candy voltou a tossir e  levou de novo o leno  boca. 
Guy franziu o cenho. 
O p do rancho te afetou seriamente, no  verdade? Tem que evitar os lugares fechados onde se concentre p. Se for  verdade que tem asma, poderia ser perigoso. 
S tenho um pulmo perfeito.   disse ela com voz rouca.  Suponho que sou muito sensvel ao p. 
Mas Guy seguia sem estar convencido. 
 Ligarei pra voc esta noite, s para me assegurar de que est bem. Se no melhorar, chame o mdico ou v  ao hospital. 
Farei isso. No tem com que se  preocupar. 
Engana-se. - Replicou ele com voz cortante. -  Se pela manh no estiver melhor, adiaremos  a visita ao rancho de Matt. Seu rancho est a vinte e cinco minutos do povoado. Se sofresse um ataque com gravidade estando ali, no poderia te trazer a tempo na caminhonete. 
 O senhor Caldwell tem um avio de pequeno porte.  assinalou.  
_ Tem dois... um Learjet e uma pequena Cessna. Mas Matt vive no povoado  e s estar no rancho o tempo suficiente para nos apresentar a seu capataz. Tem que voar at o FortWorth para uma conferncia.
Estarei melhor pela manh. - insistiu ela. Sei disso. acrescentou, mas sua imagem ficou opaca por outro ataque de tosse. 
__ Tome um pouco de caf, embora s seja para me agradar, quer?
 Candy suspirou. 
 De acordo. 
 Boa garota. - disse ele. Inclinou-se bruscamente para ela e a beijou nos lbios. 
Ela afastou-se a tempo enquanto afogava um gemido. 
Guy a olhou com curiosidade nos olhos. 
 No tem medo de mim, no  verdade?  perguntou-lhe amavelmente. 
No... no acredito. 
Sua atitude estava sendo surpreendente. Parecia muito segura de si mesma... at que a distncia entre ambos se fazia intimamente curta. No devia saber muito sobre os homens. 
 Ningum te beijou alguma vez? perguntou-lhe. 
No muito. 
Que lstima disse ele, olhando sua boca. -  Tem uma boca ideal para ser beijada... clida, suave e muito doce. 
Ela  levou a mo aos lbios em um gesto inconsciente. 
Eu no gosto de esportes.  murmurou. 
 O que tem que ver isso com os beijos? 
Quase todos os homens que conheci esto casados, mas os que no o esto querem me levar a ver jogos de futebol ou outros, e  eu gosto de pescar. 
Eu gosto dos esportes. - admitiu ele. -  Mas eu gosto mais de  rodeios e da pesca. 
Tambm  gosto dos rodeios. 
 V? J temos algo mais em comum. -  Disse ele com um sorriso, e se inclinou para beij-la de novo, sentindo a mesma descarga eltrica de antes. -  Poderia ficar viciad nisto. 
Ela  ps as mos no peito. 
No posso... no posso respirar bem.  sussurrou. - Sinto. 
 Por isso no pode se  relacionar bem com os homens? No pode respirar e quando o diz os homens acreditam que os est mandando  passear? 
 Como sabe? perguntou ela, surpreendida. 
 a resposta evidente para sua falta de pretendentes. - disse ele. -  Est claro que no se deve a uma questo de aspecto. Por que no disse a nenhum que tem problemas com seu  pulmo? 
Candy fez uma careta de desagrado. 
No teria importado muito. Queriam algo mais que uns quantos beijos. 
_ Mas voc no. 
Ela negou com a cabea. 
_ Por dentro estou morta... desde que meu pai morreu. O psiclogo  disse que era o sentimento de culpa porque ele  morreu e eu no. _ Talvez siga sendo assim. - levantou o olhar para ele. -  Mas, independentemente da culpa, no sinto isso com quase ningum. Nunca ... nunca o tenho feito. - Ruborizou-se intensamente e Guy soube a razo. 
So como pequenas descargas eltricas, no  verdade? -disse com um sorriso. De repente se sente como se medisse trs metros. 
Ela esboou um tmido sorriso. 
Mais ou menos. 
 E no se atreve a provar um raio? 
Candy ps-se a rir. 
 Hoje no. 
 .De acord-  Aceitou ele, lhe afastando uma mecha de cabelo. -  Ento te verei pela manh. 
Esperarei impaciente. 
Ele ficou srio. 
 E eu tambm..  murmurou com um estranho ardor nos olhos. Teve que esforar-se para afastar bruscamente o olhar dela e afastar-se. Gostava das mulheres e de vez em quando se sentia atrado por elas. Mas aquela sensao era completamente nova. Desejava  aquela mulher como nunca tinha desejado  outra. 
Duvidou um momento ao chegar em sua caminhonete. 
Falei srio sobre o mdico.  Ele  recordou. -  Se essa tosse persiste, chame algum. 
De acordo. - Aceitou ela com um sorriso. Despediu-se com a mo e fechou a porta. 
Guy partiu na caminhonete, mas no sem uma certa apreenso. No gostava daquela tosse. Candy era muito frgil, mas no era consciente disso ou simplesmente no queria ser. Necessitava de  algum que cuidasse dela. 
Aquele pensamento o fez sorrir. Era uma idia antiquada. As mulheres no gostava que cuidassem delas. Queriam ser fortes e independentes. 
Guy se perguntava se no tinham o secreto desejo de que algum as atendesse. No que as controlassem, dominassem nem reprimissem. Simplesmente que as... atendessem. Imaginou  Candy como uma orqudea que necessitava de ateno adequada para crescer. As orqudeas necessitavam de muita umidade e noites frescas. Sorriu ao pensar em Candy em um suporte de vasos sendo regada. Mas era precisamente isso o que queria: cuidar dela e no permitir que voltasse a sofrer. Franziu o cenho, porque os pensamentos que estava tendo eram contra sua natureza. Ele era um solitrio. Nunca tinha pensado em cuidar de uma mulher. Mas no podia pensar em Candy de outra maneira.Era muito cedo para pensar em algo permanente, assegurou-se a si mesmo. Mas tampouco faria dano se continuasse pensando nela. Tinha o pressentimento de que Candy ia ter um papel  muito importante em sua felicidade. 

No hotel, Candy tinha conseguido deixar de tossir graas a uma cafeteira bem cheia. No tinha esperado resultados  positivos, Apesar da insistncia  de Guy, mas pelo visto ele tinha razo ao recomendar o caf para a asma. Franziu o cenho. 
Se tivesse asma sua vida seria muito mais complicada do que j era. Trabalhar nos ranchos cheios de p ia supor um grande desafio, embora houvesse tratamento eficaz. 
Tomou o caf e pensou na preocupao que estava mostrando Guy. Ela era uma mulher moderna. Mas era muito agradvel que algum cuidasse dela para variar. Sua me nunca  tinha feito, e ningum se preocupou com o que lhe tinha acontecido desde que seu pai morrera. No podia evitar que a ateno do Guy a comovesse... 
Mais tarde, quando estava a ponto de deitar-se soou o telefone. Era Guy, que s chamava para comprovar como estava. Ela  assegurou que se encontrava bem e ele lhe disse que tinha encontrado  algum que o substituiria com o cliente e que a veria pela manh. 
Quando Guy desligou, Candy permaneceu por um  momento com o telefone na mo. No, no era ruim que algum se preocupasse com ela. No era mal,  absolutamente. 

O dia seguinte amanheceu esplndido e ensolarado, 
Candy usava  um traje com cala bege e botas, e  deixou o cabelo solto. Sentia-se mais jovem e contente do que tinha estado em anos. Graas a Guy podia ver a vida de uma perspectiva completamente nova. 
No rancho Caldwell repassou seus poucos dados. 
O rancho era s um dos muitos negcios que Matt possua. Era um empresrio no verdadeiro sentido da palavra. Se tivesse nascido cem  anos antes, teria sido um homem como Richard King, o fundador do famoso rancho King no sul do Texas. Matt era um homem tranqilo e afvel mas Candy tinha ouvido que com sua inimigos era desumano. Corriam muitos rumores sobre aquele homem to poderoso, e um dos quais  falava em como  tinha se envolvido com uma amiga de seu primo e como tinha provocado que a despedissem de seu trabalho. Um incidente muito estranho  em um  homem que se caracterizava pelo jogo limpo, e  tendo em conta que a mulher era jovem e que no se parecia em nada ao tipo de companhia feminina que freqentava o atrativo magnata. 
Os olhos de Matt se decantavam pelas modelos estrelas de Hollywood. Em sua vida privada no havia lugar para as mulheres com carreira, embora tinha colocado  algumas em postos executivos de vrias empresas dele. Talvez fosse a razo do conflito com aquela jovem. Falava-se quea garota era muito inteligente e ardilosa nos negcios. 
Algumas batidas na porta do quarto a sobressaltaram. Foi abrir e se encontrou com um sorridente Guy na soleira. 
 Pronta  para sair? 
 Certamente! exclamou ela. 
O dia prometia ser maravilhoso. 
O rancho de Matt era bastante afastado da cidade. Guy tomou uma estrada em que no havia nenhum sinal e sorriu a Candy. 
Temo-me que nem o melhor dos mapas no serviria muito. Matt diz que gosta de estar em lugares onde seja difcil encontr-lo, mas para quem tem que visit-lo a negcios  um inferno chegar at o rancho. 
Talvez no goste das pessoas. - comentou ela. 
Gosta, mas no quando est de mau humor.  nessas ocasies que se refugia em seu rancho. Trabalha muito junto a seus empregados, e s vezes os mais novos nem sequer sabem que ele   o chefe, at que no o vem com traje e gravata subindo ao Learjet. 
 Qual  sua fortuna? perguntou ela. 
Guy  ps-se a rir. 
Ningum sabe. Possui este rancho e outros bens imveis, dois avies, vrios terrenos na Austrlia e Mxico, est na junta diretiva de quatro grandes empresas e no conselho de administrao de duas universidades. Em seu tempo livre se dedica a comprar e vender ganho. - sacudiu a cabea. -  Nunca conheci  um homem com tanta energia.
Talvez tenta manter-se ocupado para no pensar em algo... murmurou ela pensativamente. 
Ningum nunc\z tem coragem para perguntar-lhe, Matt  muito simptico, mas no  o tipo de  homem que convide a fazer perguntas sobre sua vida privada. 
Candy deu uma sacudida quando a caminhonete pisou em um buraco e recordou algo. 
Disse que estava pilotando o avio de pequeno porte. Era teu? perguntou-lhe com cautela. 
Guy soltou uma lenta exalao. No queria falar disso, mas ela tinha direito a saber.
- Sim. - respondeu, olhando- -  Tenho uma empresa de transporte areo. 
Candy o olhou com olhos muito abertos. -  E ento por que trabalha no fazenda?
- No sabem que tenho essa empresa. - disse ele. -  Queria um lugar onde... no sei, onde me esconder, talvez. -  encolheu os ombros. - No podia suportar as lembranas ali, e no queria ter tempo livre para pensar, de modo que procurei no trabalho uma forma mais absorvente que pudesse encontrar. Estou aqui h trs anos e eu gosto. A pessoa que deixei a cargo da empresa o est fazendo muito bem. Tanto, que estou pensando em faz-lo scio. 
  um negcio rentvel? 
No estou no clube de Matt Caldwell, mas suponho que me aproximo bastante. - disse com um sorriso. -  Poderia aspirar a coisas mais altas, mas no quero. Foi isso o que custou a Anita. - Seu rosto endureceu enquanto olhava  frente.  No  dia  anterior tinha estado o dia inteiro conduzindo, e de noite no tinha dormido porque algum me tinha  convidado a uma festa. Anita queria voar um momento, assim que  subi no avio de pequeno porte. Se tivesse descansado de noite, teria examinado  o motor e teria detectado a avaria antes de provocar a tragdia. Foi ento quando me dava conta de que estava esbanjando minha vida. Vim aqui para decidir o que queria fazer. - sacudiu a cabea. - Aconteceram trs anos e ainda no  decidi. 
 O que quer fazer? perguntou-lhe ela. 
A expresso de Guy se tornou distante.  
Quero criar razes e formar uma famlia. - disse, e se ps-se a rir ao ver a cara que tinha feito Candy. -  Vejo que no te esperava uma resposta assim. 
No parece o tipo de homem que queira criar razes. - disse ela, retorcendo a bolsa em  seu regao. 
No era at recentemente. No sou to velho mas estou comeando a olhar mais o futuro a longo prazo. No quero envelhecer e morrer sozinho. 
Quase ningum quer isso. 
Ele sorriu. 
 Incluindo voc? 
Candy duvidou um momento. 
- Nunca pensei seriamente em me casar e ter uma famlia. 
-  Porque teme por seus problemas de sade? Isso no deveria  te preocupar.
- Pode ser que preocupe a um possvel marido. - Assinalou ela. - Os homens querem  uma mulher  ntegra.
 Voc  uma mulher ntegra. - Replicou ele com firmeza. -   Com um ou dois pulmes. Ela esboou um sorriso de agradecimento.
 Obrigado. Mas o matrimnio seria um passo muito grande para mim. 
 No acredito. No se duas pessoas tm muito comum e so bons amigos. Vi alguns matrimnios felizes desde que me mudei para Jacobsville. O matrimnio  o que voc quer que ele seja.
 Isso dizem. 
A estrada acabou em um comprido caminho de cascalho, com uma grande placa negra na  bifurcao onde se lia: Rancho Caldwell Dobro C .
  J chegamos. - disse Guy, girando no caminho de entrada. -  Matt tem o melhor gado  Santa Gertrudis do estado.  uma raa puro-sangue, o que significa que no  ganho para o matadouro. Vende principalmente  semns e vitelas, e o negcio no  poderia ir melhor. 
Eu gosto do gado Santa Gertrudis. - comentou Candy. 
Tambm gostava dos que meu pai criava. - disse ele. -  Trabalhava no rancho King Yo,  cresci rodeado de gado e sempe gostei. Mas eu gosto ainda mais de avies. Agora estou entre os dois.  algo que devo a  meus pais. 
 Ainda vivem? 
Guy  ps-se a rir. 
E como! Seguem trabalhando em um rancho, e ela montou uma agncia imobiliria! Vou visit-los por poucos meses. Como j te disse, tenho um irmo em Califrnia e uma irm no Estado de Washington. Seu marido  advogado e tm um filho de quatro anos. 
 Famlia... 
Voc gostaria deles. - Assegurou ele. - So gente simples e adoram ter companhia. 
Minha me no suporta as visitas sem convite. - Recordou No gosta de pessoas, fora aquelas que vo comprar gado.  uma mercenria. 
Voc no. 
Candy soltou uma gargalhada. 
Obrigada por  haver percebido. No, nunca serei uma mulher de negcios. Se tivesse muito dinheiro, certamente doaria tudo. Minha debilidade so as causas perdidas. 
A minha tambm. Bom, j estamos aqui. 
Assinalou-lhe uma casa branca de dois andares com um amplo alpendre, sob o qual via um balano. As cercas que delimitavam os pastos tambm eram brancas, e atrs delas pastavam o gado  avermelhado na verde extenso de erva. 
Pasto melhorado murmurou ela, tomando notas.  Percebe-se pela erva exuberante. 
Matt  muito perfeccionista. A est. - Disse, olhando para os degraus da entrada, onde um homem alto e atrativo, vestido com um traje e um chapu branco stetson, saa para receb-los. 

				QUATRO

Matt Caldwell era um homem arrumado e de aparncia agradvel,  tinha uma personalidade vivaz que combinava com seu aspecto magro e esbelto. Ajudou  Candy a descer da caminhonete com  maneiras delicadas que imediatamente a cativaram. 
Me alegro de t-la aqui antes de partir.  
disse Matt, e saudou Guy quando este rodeou a caminhonete. -  Farei com que Paddy lhes mostre o rancho. Oxal pudesse faz-lo eu, mas chegaria tarde a uma importante reunio em Houston. - Olhou a hora em seu relgio. -  No tenho nem um minuto livre. Acredito que deveria diminuir o ritmo. 
No te faria nenhum dano. - Disse Guy, rindo. -  Candy Marshall, apresento-lhe Matt Caldwell. 
Encantada de conhec-lo. - Disse Candy com um sorriso, enquanto estendia a mo.
Mat  a estreitou efusivamente.
Os publicitrios esto cada dia mais arrumados comentou. -  O ltimo que tivemos aqui tinha vinte e cinco anos, ia barbear-se sempre e no sabia distinguir um touro Santa Gertrudis de um Holstein. 
Fiz a barba esta manh. - Brincou ela. 
Alegra-me saber que cuida de sua higiene pessoal. - Reps ele, rindo. -  Paddy lhes mostrar tudo o que queira ver. Se precisa falar comigo, estarei de volta amanh pela manh. E se isso for demorado demais, pode me enviar as perguntas por fax. Responderei-as em seguida. - Estendeu um carto com o logotipo de Mather Caldwell Enterpripes em relevo. 
Impressionante. - Disse ela. 
Nem tanto. - Respondeu ele, rindo, e olhou  Guy com um brilho calculador nos olhos. -  Se quiser lhe oferecer uma vista area do rancho, a Cessna est pronto para voar. 
O rosto de Guy se endureceu ao pensar no pequeno avio de pequeno porte. Era o tipo de aparelho com o que se estrelou trs anos antes. 
- Eu j no vo mais. 
-  uma lstima. - Murmurou Matt. 
- Em qualquer caso, ela quer ver o gado de  perto. 
 Comprei um touro Santa Gertrudis do rancho King. - Disse Matt, e  estreitou a mo  ambos. 
Tenho que ir. Paddy vir em seguida. Estava comigo quando chegaram, mas teve que entra para atendendo uma chamada. Podem esper-lo sentados no alpendre.
 um alpendre muito bonito. - Comentou Candy. 
Matt sorriu. 
Comprei a casa pelo alpendre. Eu gosto de me sentar aqui fora nas clidas noites de vero e escutar o vento Rachmanino. 
Subiu em sua Mercedes e conduziu para o pequeno hangar at a pista de aterrissagem que apenas se distinguiam ao longe. 
 Faz isto muito freqentemente? Te oferecer seu avio? perguntou Candy quando estavam comodamente sentados no balano do alpendre. 
Cada vez que nos vemos. - Respondeu ele com resignao. 
-  Suponho que j me acostumei.., o que no quer dizer que eu goste. - Acrescentou. 
Candy no sabia como responder a isso, e agradeceu que Paddy Kiograw escolhesse aquele momento para chegar. Era um homem pequeno e encolhido de olhos azuis e brilhantes. Tirou o chapu, revelando uma grande calva rodeada por uma franja de cabelo avermelhado e lhes estreitou calorosamente as mos. Conduziu-os ao celeiro e Candy comeou a tomar notas. 
O rancho de Matt era enorme, mas tinha um toque  pessoal. Conhecia todos seus animais pelo nome, e ao menos dois dos touros eram mansos.   Candy adorou como lhe roaram a mo com o focinho quando se aproximava deles. Para sua me, o gado no era mais que carne para o matadouro, mas Candy preferia um rancho que mantivera vivos os animais e onde seu proprietrio os cuidasse propriamente. Inclusive o arisco Cy Parks se preocupava com o bem-estar de seu gado e nunca o tratava  como se fora um investimento.
Mas o celeiro, apesar de estar limpo e ventilado, estava cheio de palha e era um lugar fechado. 
Logo que tinham entrado  Candy comeou a tossir. Dobrou-se pela cintura e no pde parar. 
 Guy pediu a Paddy que lhe truxesse uma taa de caf. O homem saiu correndo para procur-la, e enquanto isso Guy levantou Candy nos braos e a tirou do celeiro. Mas Candy seguiu tossindo l fora, sentada no degrau da caminhonete. As lgrimas lhe escorregam pelas bochechas, que estavam vermelhas como  gro. 
Paddy apareceu com a taa de caf. 
Est frio. Servir? - perguntou rapidamente. 
Sim. O que precisamos  a cafena. - Disse Guy. Levou a taa aos lbios de Candy, mas ela seguia tossindo e no podia beber entre as convulses. 
O rosto do Guy se cobriu de pnico. -  Acredito que   um ataque de asma. - disse bruscamente, olhando para Paddy. 
 Tem um inalador? - Perguntou Paddy. Guy negou com a cabea. 
Nenhum mdico lhe diagnosticou ainda a asma. Maldita seja! 
Ela voltou a dobrar-se pela cintura, e essa vez comeou a ofegar ao tossir. Parecia piorar a cada segundo, como se lhe custasse aspirar uma simples baforada de ar. 
 So vinte e cinco minutos at  Jacobsville! - Exclamou Guy. -  No poderemos chegar a tempo! 
Vo na Cessna. - disse Paddy. -  Tenho as chaves no bolso. O chefe disse que talvez voc gostaria de lhe mostrar o rancho do ar. 
A expresso de Guy se escureceu. 
No posso, Paddy!. -Espetou, atormentado pelas lembranas de seu ltimo vo. 
Paddy lhe ps uma mo firme no ombro. 
Sua vida depende disso. - Recordou seriamente. -  Sim pode! Aqui tem as chaves. Vamos! 
Guy olhou outra vez para Candy e gemeu. Tomou as chaves de Paddy, subiu  Candy na caminhonete e saiu disparado para a pista de aterrissagem, com  Paddy encarapitado atrs da caminhonte. 
Deteve a caminhonete no hangar e deixou  Candy na cabine  enquanto Paddy e ele tiravam a Cessna para a pista. Ento Guy levou  Candy ao avio e a sentou no assento do co-piloto, lhe fechando  firmemente o cinto. Candy logo que estava consciente, emitia estertores arrepiantes enquanto lutava desesperadamente para respirar. 
Voc conseguir! - disse Paddy com convico. -  Chamarei por telefone e farei com que uma ambulncia  esteja esperando em Jacobsville com tudo que for necessrio. E agora parta ! 
Obrigado, Paddy. - Gritou Guy enquanto subia ao avio. 
Fazia muito tempo que no voava, mas era como montar em uma bicicleta. Nunca se esquecia. Arrancou o motor e comprovou com uma rpida olhada os indicadores e controles. Guiou o pequeno avio para a pista e rezou uma orao silenciosa. 
Tudo vai sair bem, carinho. - Disse A Candy com voz spera. - Tente agentar. Em seguida chegaremos ao hospital! 
Ela no podia responder. Sentia-se como se se estivesse afogando, incapaz de tomar ar. Aferrou-se ao bordo do assento e chorou em silncio, aterrorizada, enquanto o avio de pequeno porte enfiava na pista e se elevava no ar. 
Guy manobrou os controles e rumou para Jacobsville,  dando graas  Deus por saber pilotar um avio. Podia ver que Candy comeava a ficar azul e a perder a consciencia. 
S um pouco mais, carinho. - Suplicou por cima do rudo do motor. -  S um pouco mais! Agente, por favor! 
Seguiu lhe falando e lhe dando nimo durante  todo o trajeto at Jacobsville. Estava to angustiado por ela que seu medo de voar ficou em um segundo plano. Chamou por radio  torre de controle e recebeu permisso imediata para aterrissar. A aterrissagem foi impecvel. Uma ambulncia estava esperando na pista com as luzes acesas. 
Segundos mais tarde, Candy estava estendida na ambulncia, conectada a uma bomba de oxignio e era atendida por um mdico de urgncias. Guy lhe apertava a mo enquanto  dirigiam atoda velocidade para o hospital, rezando em silencio para no perd-la  logo quando acabava de encontr-la. 
Quando a ambulncia se deteve na entrada de Urgncias, Candy tinha recuperado um pouco da cor e sua respirao era menos agnica. O mdico de planto acudiu rapidamente junto s enfermeiras e fiscalizou seu ingresso no hospital. 
Pode esperar na sala de esperas. - Disse uma enfermeira a Guy com um amvel sorriso. -  No se preocupe. Ela ficar bem. 
Era muito fcil diz-lo, pensou ele. Meteue as mos nos bolsos dos jeans e comeou a andar nervosamente de um lado para outro, alheio s outras pessoas que aguardavam na sala. No podia recordar a ltima vez que tinha estado to assustado. 
Olhou para as portas oscilantes pelas quais tinha desaparecido Candy e suspirou. Seu aspecto tinha melhorado uma vez que lhe puseram a mscara de oxignio, mas Guy sabia  que faria falta algo mais para que se recuperasse por completo. Estava quase convencido de que a teriam em observao toda a noite. Oxal fosse assim. Candy era muito teimosa e no aceitava ordens de  ningum.
Justo quando estava pensando em atravessar as portas, entrou o mdico e lhe fez um gesto para que o acompanhasse. 
Levou-o a um cubculo vazio e fechou a cortina. 
  sua noiva? perguntou-lhe. 
Guy negou com a cabea. 
 uma publicitria da associao de boiadeiros. Encarregaram-me de  acompanh-la na visitar aos ranchos da regio. 
jMaldico! resmungou o mdico. 
 O que ocorre? 
Tem o pior caso de asma que vi em anos, mas ela no quer acreditar! Tenho  um nebulizador conectado a ela, mas necessitar que um mdico especialista a examine e a trate, ou do contrrio isto no ser um incidente isolado. Necessita de um especialista imediatamente, mas no posso convenc-la. 
Guy esboou um sorriso irnico. 
Deixe que  eu tente.  Mmurmurou. -  Acredito que estou comeando a entender como trat-la. Pensa voc que esse seu estado vem de muito tempo? 
Sim, nisso eu acredito. A tosse a delata. Muita gente no associa a tosse com a asma, mas, no sendo to comum como os ofegos  um sintoma. Receitei-lhe um inalador e lhe disse que necessita de um tratamento preventivo. 
- Seu prprio mdico poder prescrever-lhe,  ela vive em Denver. -Disse Guy. E no estou seguro de que v v-lo muito freqentemente. 
Pois faria bem em faz-lo. - Reps o jovem mdico. - Nesta ocasio se salvou por muito pouco. Uns minutos mais e no teria havido nada que pudssemos fazer. 
Imagino. - Disse Guy tranqilamente
Lhe deve a vida. - seguiu o mdico. 
No me deve nada, mas vou assegurar  de que tenha mais cuidado a partir de agora em adiante. 
Me alegro ouvir isso. 
 Posso v-la? 
O mdico sorriu e assentiu. 
 obvio. Embora no poder falar com voc. Est muito ocupada respirando. 
Melhor. Assim poder me escutar sem interromper.Tenho muitas coisas a lhe dizer. 
O doutor riu e o levou a um cubculo maior onde uma cansada Candy inalava atravs de uma mscara que lhe cobria parte do rosto. Ao olhar para Guy pareceu irritar-se. 
Asma. - disse ele, sentando-se em um tamborete junto  cama. Disse-lhe isso,  no foi? 
Candy no podia falar, mas seus olhos eram muito eloqentes. 
O mdico diz que precisa ver um especialista para tratar sua asma. 
Ela  arrancou a mscara do rosto. 
Sim. - Rplicou ele, voltando a lhe colocar a mscara. -  O suicdio no  uma opo muito razovel. 
Ela esmurrou o lateral da cama. 
Sei, no quer mais complicaes em sua vida. - Disse ele. -  Mas isto poderia ter tirado sua vida. Tem que tomar as precaues necessrias para que no volte a acontecer. 
Os olhos de Candy pareciam soltar fascas.  
O feno e a palha dos ranchos formam uma combinao letal. - seguiu Guy. -  Se for  seguir visitando esses lugares ter que tomar cuidado. E eu vou assegurar  de que faa isso. 
Ela lano  ele um olhar desafiante. 
Nos ocuparemos disso mais tarde. Respira melhor agora? 
Candy duvidou um momento e assentiu. Buscou-lhe o olhar e afastou a mscara por um segundo. 
Sinto que... tenha tido que fazer tudo isso. Est... est bem? 
Ele lhe  colocou a mscara em seu lugar, comovido pela preocupao que Candy mostrava com ele em um momento to traumtico para ela mesma. 
Sim, estou bem.  respondeu. -  No tive tempo para pensar em mim mesmo nem em meus medos. Estava muito ocupado tentando te salvar. - acrescentou com um dbil sorriso. 
Obrigada. - Murmurou ela com voz rouca e espectral. 
No fale. Respire. 
Ela soltou um suspiro. 
Certo.. 
O nebulizador demorou alguns momentos para esvaziar-se. Quando tudo terminou Candy  estava exausta, mas j podia respirar por si mesma. 
O mdico voltou a v-la e insistiu no que havia dito antes, sobre um especialista para o tratamento de sua asma. Entregou um inalador de amostra junto a um par de receitas. 
Tem que seguir as instrues e comear um tratamento o mais breve possvel. No quero voltar a v-la por aqui neste estado. - acrescentou com um sorriso que suavizava suas palavras. 
Obrigada. - disse ela. 
Para isso estamos aqui. - disse o mdico. -  Voc ignorava que tinha asma, e isso me parecea incrvel. Alguma vez teve um mdico de famlia? 
S vou ao hospital quando estou doente. - respondeu ela. -  No vou ao mdico constantemente.
Pois procure um. - O mdico recomendou. -  No espere a que seja muito tarde. 
Estreitou a mo  Guy e saiu da habitao. 
Guy ajudou  Candy a levantar-se e a acompanhou a recepo, onde ela deu seu nmero de carto de crdito e direo. 
 Tampouco tem seguro mdico? perguntou-lhe.
Ela  encolheu de ombros. 
Nunca me pareceu que fosse necessrio. 
 absolutamente necessrio. 
Esta noite no. Estou muito cansada para discutir. Tudo que quero  voltar para o hotel.. 
Para Guy no fazia nenhuma graa deix-la s toda a noite. 
No deveria ficar sozinha. - Disse, incmodo. - Poderia  pedir a uma enfermeira que se fosse contigo. 
 No!  - Disse ela com veemncia. -  Posso me cuidar sozinha. 
No fique alterada... Ele disse com firmeza. -  Isso no te ajudar. Poderia te provocar outro ataque. 
Candy soltou uma tremente exalao. 
Sinto muito. Assustei-me. 
E eu tambm. - Cnfessou ele. -  Nunca tinha atuado to rpido em minha vida.  Tomou-lhe a mo e a apertou com fora. -  No volte a me fazer isto. - Acrescentou com voz tensa. 
Saram ao ar livre e ela girou-se para ele. 
 Como vamos ao hotel? perguntou-lhe com preocupao. -  E o que acontece com sua caminhonete? 
Paddy se ocupar dela. E ns tomaremos um txi. - Acrescentou com um sorriso. -  Vamos. Tenho que fazer alguns acertos para devolver o avio de pequeno porte ao rancho, e logo te levarei aonde queira ir. 
Candy esperava que o txi os levasse ao hotel, mas a direo que Guy  deu ao taxista era a da consulta de um mdico. 
 Mas o que...? comeou. 
Mas seus protestos ficarm no ar. Guy  pagou ao taxista e a levou a sala de espera do doutor Drew Morris. A recepcionista que substitua  Kitty, a mulher de Drew, recebeu-os com um sorriso. 
Guy lhe explicou o problema e a mulher os convidou a esperar. No tinham acontecido nem dois minutos quando os fez entar em uma sala de observao. 
Drew Morris entrou em seguida e procedeu em auscultar  Candy com um estetoscpio, ignorando os protestos desta. Segundos mais tarde, tornou-se para trs na cadeira e cruzou os braos ao peito. 
No sou seu mdico, mas  serei at que encontre  um. Vou receitar-lhe um medicamento preventivo. Ter que tom-lo junto ao inalador que lhe deu o mdico de urgncias. 
 Como sabe que me deu um inalador? perguntou Candy. 
Guy me ligou antes de pedir o txi.  disse Drew.Tem que tomar os remdios. Se por alguma destas razo deixarem de ter efeito, no incremente a dose. Me chame em seguida ou v a urgncias. Hoje correu um grave perigo. Temos que ser precavidos. No se pode curar o asma, mas sim, se pode control-la. Tem que acautelar esses ataques. 
Certo. - Disse ela. -  Farei o que seja necessrio. 
 Tinha tido problemas como este com antecedncia? 
Ela assentiu. 
Muitos vezes. Pensava que s se tratava de uma simples alergia. Ningum em minha famlia tem problemas pulmonares. 
No tem por que ser hereditrio. Algumas pessoas o padecem, simplesmente... Hoje mais que antes, sobre tudo os meninos. Est se convertendo em um problema cada vez mais grave e estendido, e estou convencido de que a contaminao tem algo que ver. 
 O que acontece com meu trabalho? perguntou ela.- Eu adoro o que fao.
 Qual  o seu trabalho? 
Visito os ranchos e entrevido pessoas sobre seus mtodos de produo. E em todo rancho h celeiros cheios de palha, silos e elevadores de jarros. 
Ento dever levar uma mscara e usar seu inalador antes de aproximar-se desses lugares. - disse Drew. -  No h nenhum motivo que lhe impea de seguir com seu trabalho. Houve campees olmpicos com problemas de asma. No a frear a menos que voc o permita. 
Candy lhe sorriu. 
-  Voc  muito otimista. 
Tenho que ser. Minha mulher  asmtica. 
 Como est Kitty? perguntou Guy. 
Drew soltou uma gargalhada. 
Grvida. - Respondeu, ruborizando-se ligeiramente. -  No poderamos estar mais felizes. 
Parabns. - Felicitou Guy. - E obrigado por atender  Candy. 
Foi um prazer. - Disse Drew, olhando-os a ambos com um brilho inquisidor nos olhos. 
Parece te conhecer muito bem. - comentou Candy quando estavam no txi de volta ao hotel. 
 Eu saa com sua mulher, antes de se casarem. - Contou ele. -  Recorda que te falei dela? Kitty tinha ataques de tosse. 
Oh, sim, j me lembro. - Disse ela, um pouco incmoda. Pelo visto Guy tinha sado com muitas mulheres,  apesar da dor pela perda de sua noiva. 
Kitty era muito doce e encantadora. Eu gostava muito dela. - Seguiu Guy. - Mas ela amava Drew. Me alegro de que acabassem juntos. Drew estava sofrendo muito pela morte de sua esposa anterior. As pessoas da cidade pensavam que nunca voltaria  casar-se. Mas se apaixonou loucamente po Kitty. 
 muito simptico. 
Sim,  todos os mdicos daqui tem muito carinho com todos. - Disse ele. Inclinou-se para o taxista e lhe disse que parasse na farmcia mais prxima. -  Tm que  encher os inaladores. Esperaremos  que o faam na farmcia e pediremos outro txi. 
Posso faz-lo amanh . - Disse ela. 
No . - Disse ele categoricamente. 
Detiveram-se na farmcia para pedir as receitas e logo seguiram at o hotel. Guy deixou  Candy no quarto e se assegurou de que tivesse um cubo de gelo e algumas bebidas antes de partir, de modo que no tivesse que sair para busc-las. 
Tente descansar um pouco.  sugeriu ele. 
Mas logo tenho que relatar o que vimos no rancho do Matt protestou ela com o cenho franzido. -  Como vou escrever o artigo? 
Matt disse que podia te enviar por fax a informao que precise. Respondeu ele - Explicarei a ele a situao para que possa preparar as perguntas. 
Isso seria muito amvel de sua parte. - Disse ela. 
Ele he sorriu, sentindo-se protetor e possessivo de uma vez. 
Poderia me acostumar isto a, sabe? 
 A que? 
A cuidar de ti. - Respondeu brandamente, e se inclinou para lhe roar a boca com os lbios.  Deite-se  e descansa por um momento. Voltarei mais tarde para te buscar e te levarei para jantar. 
Ela fez uma careta. 
Eu gostaria. Mas estou muito cansada, Guy. 
Realmente parecia cansada, com expresso de fadiga e rugas ao redor da boca e os olhos. 
Nesse caso, trarei algo. - Props ele. -  O que voc gostaria? 
Pizza! - Respondeu ela imediatamente. 
Certo! - Disse ele com um sorriso. -  Te verei as seis. 
Certo... 
Guy acabou suas tarefas no fazenda, depois  que Paddy o levou de caminhonete a cidade. Levou a Paddy ao rancho e logo foi procurar o jantar para  Candy. Levou-lhe a comida ao hotel, onde jantaram em silncio e logo viram um filme na TV. 
No tinha acabado o filme quando Candy estava enroscada contra ele, dormindo placidamente. Guy a abraou, maravilhando-se pela intimidade que compartilhavam, pela fragilidade de Candy e por sua prpria fora. No tinha pensado em comprometer-se com ningum desde que perdeu  Anita, mas Candy se deslizou em sua vida com tanta naturalidade que ele tinha aceito sua presena sem o menor receio. 
Desceu o olhar a seus tenros olhos fechados. No queria voltar para fazenda. Queria ficar ali com ela toda a noite. Mas se fizesse isso, a estaria pondo em um compromisso. E no podia arriscar-se a isso. No era provvel que Candy queria comprometer-se. Seria uma loucura comear algo com uma mulher que vivia a vrios estados de distncia, mas Guy no podia tirar a idia da cabea. 
Naquele momento soube que Candy o tinha de uma maneira que nenhuma distncia nem circunstncia poderia romper. E estava assustado.  
				
				CINCO

Guy desceu a cabea e beijou as plpebras de Candy, roando-as brandamente com os lbios at que estas se levantaram. 
Candy o olhou meio sonada, mas com uma confiana absoluta. Rodeou-lhe inconscientemente o pescoo com os braos e puxou-o para baixo para beij-lo com calma e ternura. 
Ele gemeu e ela sentia-se como se movia para acomodar o corpo ao dele. O beijo aumentou, at que uma das largas pernas de Guy se deslizaram entre as suas. 
Aterrorizada pela repentina falta de ar, Candy o empurrou no peito. 
Ele levantou a cabea, respirando agitadamente, e em seguida entendeu por que ela se afastava. 
Sinto... - Murmurou, e deslocou a boca at seu queixo, seu pescoo e a abertura da blusa enquanto com os dedos desabotoava os botes para expor a pele suave a seus lbios. 
Candy  no protestou quando ele lhe tocou no ombro em sua carne que nunca tinha recebido o contato de um homem. 
Cedeu imediatamente e se arqueou para receber seus lbios, afastando o tecido para lhe facilitar o acesso. Sentiu como sua boca se fechava em torno do mamilo endurecido, e a repentina presso a fez gemer de prazer. 
Ele levantou a cabea e olhou o ponto que sua boca acabava de tocar. Acariciou-lhe sensualmente o seio e se inclinou para voltar a beij-lo, antes de lhe abotoar a blusa. 
Candy o olhou com olhos indagadores, mas ele sorriu e a beijou brandamente nos lbios. 
Temos todo o tempo do mundo.  sussurrou. -  Mas neste momento est ferida e eu tenho que cuidar de ti. 
Os olhos de Candy se encheram de lgrimas. Nunca tinha recebido uma ternura semelhante. Era uma sensao completamente nova e entristecedora.
No chor. - Pediu ele, lhe afastando as lgrimas com beijos. -  Agora vai ficar bem. Nada de mau te ocorrer enquanto eu estiver por  perto. 
Ela se afatou delel com todas suas foras e enterrou o rosto em seu pescoo enquanto as lgrimas  transbordavam. 
Oh, Candy. - Murmurou ele, e a balanou em seus braos at que ela recuperou o controle. Ento se levantou da cama e afastou-se dela.
Sinto... - Soluou ela. - Suponho que estou cansada. 
Eu tambm. - Respondeu ele, lhe roando o nariz com a boca. - _Vou voltar para a fazenda.. Quer que te traga alguma coisa antes de ir?Ela negou com a cabea e sorriu. 
 O que acontecer com  a pescaria de amanh? 
Guy sorriu. 
Estou disposto se voc  estiver. 
Tomarei os remdios. - Disse ela, embora sem muito entusiasmo. 
Se no fizer, no iremos a nenhuma parte. - Advertiu ele. 
Ela enrugou o nariz. 
 um desmancha-prazeres. 
Odeio os hospitais.  Limitou-se a responder. -   Temos que te manter longe deles. 
Tentarei. 
Bom. 
Obrigado por salvar minha vida. - Disse ela, muito sria. -  Sei que voltar a pilotar um avio deve te trazer lembranas horrveis. 
Guy no estava disposto a admitir. No queria pensar nisso. 
Tente dormir um pouco. - Disse com um amvel  sorriso. -  Quero ver voc radiante pela manh. 
 Se tiver vontade de ir, iremos. Se no, encontraremos outra forma de passar o tempo, de acordo? 
De acordo. - Respondeu ela com um sorriso vacilante. 
Guy a soltou e voltou para a fazenda,  mas no conseguiu pregar olho. Uma e outra vez via o rosto da Anita. Finalmente se levantou com um gemido e desistiu de seu intento de apagar as lembranas. Era intil. 
Na manh seguinte, Guy e Candy foram pescar ao rio, armados com canos, cevas e anzis. Na opinio de Candy, era uma ingenuidade tentar pescar algo com mtodos to primitivos. Guy se limitou a sorrir. Acendeu uma pequena fogueira e ps uma frigideira para esquentar. A idia era tentadora, mas estiveram trs horas sentados na borda sem conseguir outra coisa que picadas de tbanos e mosquitos. 
 por estes arranjos pr-histricos. - Comentou Candy com um olhar malicioso. -  Certamente os peixes esto rindo de ns no fundo do rio! 
No  pr-histrico. - Disse ele. -  D aos peixes uma oportunidade. 
 Uma oportunidade!  Espetou ela, fazendo um gesto para o rio. -  Quem tem essa idia de pescar usando iscas do que usando uma boa lubina? 
Espera o prximo torneio de pesca. - Reps ele com um sorriso zombador.  Logo veremos. 
Candy  sorriu. Gostava de discutir com ele. Guy era muito divertido. Com ele sorriu mais nos ltimos dias do que em toda sua vida. Guy a fazia sentir-se viva e a fazia encarar o futuro de uma nova perspectiva. Deixou o cano e se estirou perezosamente enquanto soltava um suspiro. 
Guy a observou com interesse. 
Uma mulher  que gosta de pescar .  Murmurou. - E que no se importa de manchar as  mos... 
 Eu tambm  gosto de jardinagem. - comentou ela. -  Estava acostumada a plantar flores quando vivia em casa. Mas agora ningum  faz isso. 
Ele fez uma careta com os lbios e olhou o suave fluxo do rio. Estava pensando em canteiros floridos e em uma casinhao bastante grande para duas pessoas. 
Ela o olhou com seus grandes e quentes olhos. 
Passei bons momentos  aqui.  Disse ela. -  Lamento ter que ir amanh. 
A realidade caiu  totalmente em Guy, quem girou a cabea e a olhou. Encontrou-se com os alhos de Anita, olhando-o fixamente. 
Tem que partir ? perguntou, piscando um par de vezes. 
Ela assentiu tristemente. 
Tenho que escrever todos esses artigos e me ocupar do trabalho atrasado. Tenho certeza que minha mesa est enterrada sob uma montanha de papis. 
_En Denver... 
Sim, em Denver. - Afirmou. Recolheu o linha e deixou o cano junto a ela. -  Esta foi a semana mais maravilhosa da qual  posso me recordar. Obrigada por haver salvado a minha vida. 
Guy franziu o cenho. Tinha a vista fixa em sua prprio linha, mas no a estava vendo. No poderia ficar outra semana? 
No poderia justificar o atraso. - Disse ela tristemente. 
- No posso me esquecer de meu trabalho e fazer o que me agrade. J no tenho a minha me para que me mantenha.  Acrescentou. 
-  Devo trabalhar para viver. 
Guy se sentia mais mal-humorado do que tinha estado em anos. Atirou a linha e aenrolou entorno da vara de pescar. 
 Sei o que  isso.  Disse. -  Eu tambm trabalho para viver. - Girou a cabea e a olhou Aos olhos. 
Queria lhe pedir que ficasse. Queria lhe dizer o que comeava a sentir por ela. Mas no podia encontrar as palavras. 
Ela viu a dvida em sua expresso e se perguntou qual seria a causa. Ele se levantou e recolheu em silncio os canos. Levou-os a caminhonete e olhou seu relgio. 
Hoje vem outro grupo de boiadeiros  fazenda. - Convidaria voc para almoarmos, mas no tenho tempo. 
No h problemas. - Respondeu ela com um sorriso.  Entendo. Embora no tenhamos pescado nada. 
Guy desejou poder fazer algum comentrio jocoso, mas a tristeza lhe oprimia o corao. Apagou a fogueira, recolheu a frigideira e a garrafa de azeite e o levou tudo  caminhonete. 
Conduziu em silencio at o hotel, sumido em uma atitude distante e taciturna. 
Ao chegar, Candy  desceu da caminhonete e fez gesto de dirigir-se para seu quarto, mas aguardou um momento com a porta aberta. 
Suponho que no ter que ir a Denver para nada. - Disse. 
Ele negou com a cabea. 
A verdade  que no. 
E esta  a primeira vez que eu venho a Jacobsville. No acredito que me faam vir outra vez.
Ela olhou nos olhos dela e lhe doeu ver a tristeza que escurecia seu rosto. De novo estava recordando  Anita... recordando o que havia sinta ao perd-la. 
Foi muito divertido. - Disse com um sorriso forado.  Gostei de conhecer voc. E no se esquea de seus remdios. - Acrescentou com firmeza. 
Saberei cuidar de mim mesma. - Assegurou ela. -  Faa voc o mesmo. - Acrescentou amavelmente. 
Guy no gostou  nada da preocupao que viu em seus olhos nem da suavidade de sua voz. No queria amar  algum que tinha tanta pressa por abandon-lo. 
Inclinou-se sobre o assento e fechou a porta. 
Espero que tenha uma boa viagem de volta.  Disse  ela e saiu disparado do estacionamento. Ela ficou olhando enquanto  se afastava, perplexa. Tinha acreditado que algo estava nascendo entre eles, mas Guy parecia muito impaciente por afastar-se dela. Mordeu o lbio inferior e girou-se  para seu quanto.  Era surpreendente quo equivocado tinha demonstrado estar ultimamente seu instinto, pensou enquanto abria a 
porta. Parecia que no podia confiar em seu critrio no que se referia aos homens. 

Guy estava sentindo algo similar enquanto conduzia furiosamente de volta  fazenda.. No podia suplicar a Candy que ficasse. Se seu trabalho era to importante para ela, quem era ele  para det-la? Talvez tinha precipitado muito em suas concluses e ela no o desejava para nada permanente. Aquele pensamento o irritava e quanto mais pensava nisso, mais frustrado se sentia.
De noite no podia agentar mais. Jantou no barraco e logo foi at o bar mais famoso do condado para beber at esquecer. 
Era consciente da estupidez que estava fazendo, de modo que bebeu ainda mais. Em poucos minutos tinha os olhos chorosos e estava procurando briga. 
Cy Parks, normalmente to insocivel e que apenas se deixava ver pela cidade, tinha passado pelo bar para tomar uma cerveja e o viu  entrar. Fez idia do porqu de Guy estar ali, e sabia quem era a nica pessoa que podia fazer algo. Saiu do bar e foi para o hotel onde Candy estava alojada. 
Bateu na porta com sua mo s e Candy  abriu. Estava de jeans e um Top e o cabelo solto lhe caa at os ombros. Ficou boquiaberta ao ver quem estava em sua porta. 
 Senhor Parks! exclamou. - Veio para me dizer algo sobre o artigo? 
Ele sacudiu a cabea. 
Chamei  Justin Ballenger do meu carro e lhe perguntei onde voc estava hospedada. - Explicou. Seus negros olhos brilhavam, e no s de impacincia parecia quase divertido. -  Pensei que talvez gostaria de saber que Guy Fenton est se embriagando no  bar. Parece disposto a criar muita confuso. Pensei que possivelmente voc poderia tentar det-lo,  e impedir que ele acabasse na priso. 
 N a priso?  Repetiu ela, horrorizada. Cy assentiu. 
 Falam por a que o xerife no lhe dar uma segunda oportunidade se voltar a destroar o bar. 
O, Meu Deus...  Murmurou ela. -  Pode me levar at l? 
Cy voltou a assentir. 
Para isso vim. 
Candy no duvidou nem um segundo. Subiu de um salto  ao luxuoso carro de Cy fechou o cinto de segurana antes  que ele se setasse ao volante.
Eu o obriguei a voar. Tive um ataque de asma no rancho Caldwell e ele teve que me trazer para ao cidade no avio do Matt para poder chegar a tempo. Por minha culpa as lembranas daquela pobre garota que morreu no acidente voltaram a atorment-lo. Pobre Guy... 
Cy a olhou. 
 Est segura de que foi isso o que o levou ao  bar?
-- No me ocorre nenhuma outra explicao. 
Cy sorriu para si mesmo. 
__ Justin diz que voc falou  ele que  partir amanh.
  certo. - Disse ela. - O chefe s me deu uma semana para preparar estes artigos. No posso ficar mais tempo. 
Cy no disse nada, mas permaneceu pensativo enquanto conduzia. Estacionou em frente ao bar e apagou o motor. 
 Quer que entre contigo?  Ofereceu a Candy.  Ela o olhou de cima abaixo e esteve a ponto de  dizer que sim. Cy parecia um homem duro, inclusive com uma mo danificada. Mas seria uma covardia proteger-se atrs de um homem, pensou Candy. 
Obrigada, mas acredito que irei sozinha. - disse. 
Ento esperarei aqui fora.  Respondeu ele. -  No caso de...
Candy sorriu. 
Obrigada. 
Saiu do carro e caminhou com cautela para o bar. No se ouvia nada, nem o som dos copos, nem murmrios de conversaes, nem msica. O grupo estava sentado em silncio, e os clientes se apinhavam em torno de uma mesa de bilhar. De repente um pau de bilhar surgiu sobre as cabeas e voltou cair com fora. Ouviu-se um rangido sinistro, seguido de um rudo surdo e um impacto mais forte. 
Seguindo sua intuio, Candy avanou para multido. Guy estava inclinado sobre um vaqueiro  que lhe sangrava o nariz. Tinha os punhos apertados e uma expresso ameaadora. 
Sem duvid-lo, Candy se lanou para ele e lhe agarrou um de seus grandes punhos com as mos. 

Ele deu um coice e a olhou como se estivesse alucinando. 
 Candy?  Chamou com voz spera. Ela assentiu e sorriu com mais segurana da que sentia. 
Vamos, Guy. 
Apertou seu punho at que conseguiu que Guy o abrisse e lhe agarrasse a mo. Sorriu-lhe timidamente  desconcertada audincia e voltou a caminhar, fazendo que Guy a seguisse torpemente. 
 No se esquea do chapu!  Gritou um vaqueiro, arremessando o chapu de abas largas de  Guy. Candy o apanhou no vo. 
Os murmrios foram crescendo   medida que se aproximavam da porta. Ao sair, Guy  encheu os pulmes do fresco ar noturno e esteve  a ponto de tropear nos degraus. Candy ficou sob seu brao para sustent-lo. 
Meu Deus, Candy... no... no teria que estar aqui. - Conseguiu dizer ele.  Poderia ter acontecido algo  voc em um antro como este! 
__ O senhor Parks me disse que a polcia te deteria  se voltasse a  destroar o local.- Disse ela simplesmente. -  Voc me resgatou, e agora sou eu quem resgata voc.. 
Guy comeou  rir. 
 V... murmurou. - E agora que me resgataste, o que vais fazer comigo? perguntou-lhe em tons sensual.
Se tivesse um pouco de sentido comum, daria-te com uma frigideira na cabea. - Resmungou Cy. Afastou-o de  Candy e levou-o  at o carro. Colocou-o a empurres no assento traseiro e fechou com uma portada atrs dele. - Deixaremos ele na fazenda e logo te levarei ao hotel. Justin enviar algum para recolher a caminhonete. 
 O que est fazendo aqui?  Perguntou-lhe Guy em tom agressivo.  Foi voc que trouce Candy? 
- Claro. - Respondeu Cy com sarcasmo enquanto tirava o carro do estacionamento. 
-  Foi em seu prprio carro at o hotel, tirou-me da cama  e me obrigou a vir  te buscar. 
Guy piscou, perplexo. 
Sinto  haver feito voc voar. - Disse Candy, girando-se no assento para olhar  ele. - Sei que foi essa a razo para estar assim. 
 O que? Voar?  Murmurou ele, ligeiramente confundido. -  No. No foi isso. 
 Ento o que foi? 
Quer ir para casa. - Disse ele pesadamente. Recostou-se no assento e fechou os olhos, alheio ao olhar da mulher que tinha diante dele. -  Quer ir embora e se afastar de mim. Tinha um trabalho do qual eu comeava a gostar, mas se no posso te ter, nada me vale a pena. 
Cy trocou um olhar divertido com uma Candy que  ficou absolutamente perplexa. 
 E se ficasse? perguntou a Guy. -  O que poderia lhe oferecer um homem que se embebeda  todos os sbados de noite? 
Se ficasse, no teria nenhum motivo para beber nos sbados  noite. - Murmurou Guy sonolento. -  Compraria uma casinha com jardim e ela poderia plantar flores. - Soltou um bocejo. -  Um homem poderia matar-se de trabalhar por uma mulher como ela, to especial, to... 
Ento ele dormiu ... Candy sentiu que o corao lhe subia at a garganta.
 S est bbado. - Disse, tentando racionalizar o que tinha ouvido. 
__  como o soro da verdade. - Replicou Cy. - E agora que sabe, ir embora da cidade?  Perguntou-lhe, olhando-a fixamente. 
 Est brincando? - Perguntou ela com os olhos muito abertos.
__  Como vou partir depois de uma confisso como esta? De maneira nenhuma, vou ser a sombra de Guy at que me compre um anel! 
Parks jogou a cabea para trs e soltou uma  gargalhada.

Guy despertou em uma grande cama que no era a sua. Abriu os olhos e viu um teto que no se parecia com o do barraco. E podia ouvir uma respirao suave que no era a sua. 
Girou a cabea... e ali, a seu lado, coberta por um lenol, estava Candy Marshall, dormindo placidamente. Levava uma camisola curta de seda rosa e seu comprido cabelo escuro se derramava sobre o branco travesseiro. 
Guy se olhou e viu que ainda estava com a roupa da noite anterior, menos as botas. A cabea comeou a lhe palpitar. 
Oh, Deus... Murmurou com um gemido, ao dar-se conta do que tinha passado. A pergunta era como tinha chegado at ali, como foi parar em uma cama com  Candy? 
Ela se agitou e abriu seus encantadores olhos aveludados. 
 O que estamos fazendo em uma cama?  Perguntou ele, ainda aturdido. 
No muito reps ela. 
Ele riu brandamente e sentiu a cabea. 
 Que tal  uma aspirina e um pouco de caf? Perguntou-lhe ela. 
 Que tal  um tiro? sugeriu ele. 
Candy se levantou da cama com um movimento elegante e sensual e foi ligar a cafeteira do quarto. Tirou um frasco de aspirinas da bolsa e se deteve antes de lev-lo todo  cama para usar o inalador. 
Boa garota. - Murmurou Guy com voz rouca.
Bom, tenho que cuidar de mim mesma para poder cuidar de ti. - Disse,  levando a aspirina e  um copo de gua. -  Tome isto.  Ordenou. -  E quando se atrever a pisar em um bar num sbado a noite, darei-te com uma frigideira de ferro na cabea! 
Seria detida por por abusar de seu namorado! -assinalou 
 Por que no comea apregar com o exemplo? desafiou-o ela. 
Guy soltou uma dbil gargalhada e tomou a aspirina. 
_ Certo! Ir se casar comigo, com defeitos e  tudo? 
_ S faz uma semana que nos conhecemos.  muito provvel que voc no goste quando me conhecer melhor. 
_ Sim eu gostarei. Casar comigo? 
Candy esboou um sorriso encantador. 
_ Claro que sim!
Guy voltou  a rir, desta vez de puro gozo. _ Voc se importaria de vir at aqui para selarmos  o trato? 
Ela duvidou um momento. 
_ No, melhor no. Est em um estado lamentvel. Primeiro tem que se recuperar de sua ressaca e te lavar  um pouco. 
Guy suspirou. 
_ Suponho que devo ter um aspecto horrvel. 
_ E ainda cheira a lcool. Por certo, eu no bebo. Nunca. 
Ele  se apressou a levantar uma mo. 
_ a partir de agora, juro que no beberei mais que caf, voc ou leite. 
Bom menino. Nesse caso, podemos nos casar na semana que vem. Antes do sbado  a noite. - Acrescentou com um sorriso. 
Guy a olhou com olhos muito abertos. 
No fui beber por ter tornado a voar confessou Mas sim porque  tinha te perdido. No suportava que fosses abandonar-me. Mas nesta ocasio o lcool no me serve de nada. Se  casar comigo, no voltarei a ter  necessidade de beber nem de esquecer. Teremos uma casa com jardim onde possa plantar flores... E podemos ter filhos.  Acrescentou,  percorrendo seu corpo com o olhar. 
Eu adoraria disse ela com um radiante sorriso. 
Poderia ser arriscado. 
Consultaremos o doutor Morris.  J que vou viver em Jacobsville, ele pode ser meu mdico. 
Guy lhe dedicou um olhar carregado de sentimento. 
No sabia que algo assim poderia acontecer. - Disse. -  Acreditava que o amor estava morto e enterrado. Mas no  assim. 
O sorriso de Candy se alargou ainda mais.
 Eu nem sequer sabia o que era o amor.. at agora.
Guy abriu os braos e ela se refugiou neles, e por um comprido momento os dois estiveram em silncio, compartilhando o maravilhoso amor que nascia entre os dois. 
Finalmente ele levantou a cabea e contemplou o tesouro que tinha nos braos. 
_ Se quiser, posso voltar a trabalhar em minha empresa de transporte areo. 
 Voc quer? 
Ele pensou na pergunta durante um minuto. 
_ A verdade  que no. Isso foi parte de minha vida em seu tempo, mas sempre estar relacionado com as ms lembranas. - Disse, e lhe ps uma mo nos lbios quando ela se disps a falar. -  No, sigo tendo saudades de Anita. - Acrescentou tranqilamente. - Sempre  sentirei falta dela e lamentarei sua morte. Mas meu corao no foi enterrado com ela.  contigo com quero estar e so seus filhos os que quero ter. E gosto de trabalhar na fazenda. Em certos aspectos,  um desafio. - Sorriu. - E se voc dedica-se a promocionar a associao de boiadeiros, teremos muito mais em comum.
 Me permitiriam faz-lo? perguntou ela sorrindo. 
  Suplicaro para que faa! assegurou-lhe ele.  A pobre senhora Harrison  quem se ocupa disso, e odeia at a ltima palavra que escreve. Far-te bolos e bolos se a livrar dessa fatigante tarefa. 
Nesse caso, acredito que eu gostarei muito de faz-lo. 
E alm disso trabalharamos juntos. - Seguiu ele, e se inclinou para beij-la com ternura. - Oh, Candy, o que tenho feito para merecer  algum como voc? Amo-te! 
Candy apertou-o contra ela. 
E eu amvo voc!!! 
Nenhum dos dois se perguntou como era possvel que o amor os tivesse surpreendido de forma to repentina. CAsaram-se e passaram a lua de mel em Galveston, desfrutando de intensos passeios pela praia e da paixo que encontravam  um nos braos do outro. 
Minha me quer vir  nos visitar quando voltarmos da lua de mel. comentou Candy a Guy depois de uma larga e doce manh de prazer,  junto a ele sob o lenol. -  Me disse que esperava que fssemos felizes. 
Seremos. - Murmurou ele, lhe acariciando o cabelo. -  Quer v-la? 
Acredito que vai chegar a hora de fazer as pazes com ela. - respondeu Candy. -  Talvez eu seja to culpado como ela por viver ancorada no passado. Mas se acabou. - Acrescentou  olhando-o com  olhos cheios de amor. - Eu adoro estar casada.
Isso  uma insinuao?  sussurrou ele, tombando-se em cima dela. 
Uma insinuao descarada. - Disse ela, lhe rodeando uma perna com a sua, e gemeu brandamente quando ele a beijou nos lbios. 
Qualque coisa para te agradar... 
Ela riu e afogou um gemido ao tempo que uma espiral de prazer comeava a lhe percorrer o corpo. Fechou os olhos e se abandonou  deliciosa sensao. O amor era o mais indescritvel dos prazeres compartilhados, pensou. 
L fora  as ondas rompiam na praia e as gaivotas chiavam  luz do amanhecer. Os sons do exterior chegavam a Candy, mas estava to perto do cu que logo no ouvia  nada. 
Quando o vendaval de prazer amainou, Candy sustentou  um Guy exausto contra seu corao e pensou em jardins floridos e em um futuro cheio de delcia e felicidade. Fechou os olhos e sorriu enquanto sonhava. 
Guy sentiu como o corpo de Candy se relaxava e contemplou seu rosto adormecido com uma expresso amorosa. De viver um pesadelo a viver aquilo, pensou... Graas a Candy voltava a ser um homem ntegro. Ela tinha apagado a culpa do passado e a dor, e lhe tinha devotado um corao novo para adorar. E ele sabia que seus dias com a bebida tinham terminado para sempre. Candy o faria feliz, e ele a ela. 
Ele a abraou com ternura e cobriu a ambos com o lenol. Antes de dormir, sua mente j tinha comeado a desenhar os planos dessa casinha em que os dois compartilhariam o resto de suas vidas. 
 


**** Fim ****




